A Cabana (Arronches, Alentejo)

(foto Lino Soares)

(foto Lino Soares)

A manhã caminhava para o almoço, o passeio matinal por Arronches por entre o branco caiado do casario terminou na Praça da Republica em frente à imponente Igreja Matriz. O desejo de um café levou-nos até à Rua de Olivença, uns metros mais abaixo, onde encontrámos A Cabana.
A Cabana se tivesse uma decoração vintage e se estivesse no bairro trendy de uma grande cidade era mais uma tasca sofisticada da moda, daquelas com cadeiras desirmanadas,  com o chill out a embalar,  onde podíamos ir almoçar fora de horas, ou beber um copo de vinho ao final da tarde, ou petiscar pela noite dentro, ou simplesmente tomar um copo com os amigos no final da noite.
Assim, tranquilamente hospedada na pacata vila de Arronches, onde o ritmo urbano requer outra sensibilidade, acaba por ser uma pedrada no charco do que se espera encontrar quando entramos num café do Alentejo profundo. Não que o ambiente trazido pelas paredes em pedra e o tijolo de burro não seja tradicional, mas em poucos minutos se percebe que tudo o resto aponta noutra direcção.  
Luís Figueira, formado em hotelaria, juntamente com a sua companheira Andreia Cardoso, achou que estava na hora de se aventurar em nome próprio e vai daí nada melhor que abanar as mentalidades de uma vila do interior alentejano com um conceito de cidade grande.
Gostámos tanto do ambiente, do conceito, da genuinidade do seu proprietário, que acabámos por nesse dia voltar para jantar.
À noite a casa estava mais composta, essencialmente por jovens da região, uns para beberem um copo, outros para jantares tardios. Música ambiente (hey, aqui descobriram que há vida alem dos Gotan Project), actual e de muito bom gosto, dispunha bem de imediato. 
Ouvimos as propostas e quisemos provar os petiscos, o mais possível, das carnes aos queijos, dos enchidos aos petiscos típicos, passando pelas pernas de rã, irrepreensivelmente preparadas, trazidas por apanhador da região. Tudo caseirinho (ou biológico, pronto) como mandam as regras por estes lados. Que maravilha. 
Para empurrar começou-se com a Inedit, pela primeira vez avistada na restauração portuguesa, depois passou-se ao vinho. A oferta vínica não é grande, mas ainda assim a suficiente para se provar alguns néctares da região a preços relativamente justos. Copos excelentes (sim, num café em Arronches) e nem falta a oferta a copo.
No fim, com cervejas, vinhos, petiscos (muitos), cafés, para seis pessoas e uma criança, pagámos 74€ (não é gralha). 
Estas são daquelas inesperadas experiências que ficamos sempre a torcer que tenham vida muito longa. Porque quem tem a coragem de apostar desta forma merece toda a sorte do mundo e porque quem passa por ali agradece uma oferta daquela qualidade. 
Ponham lá nas vossas agendas por favor, para não se esquecerem de passar por lá quando andarem nas imediações.  

A Cabana
Rua de Olivença, 20, Arronches
967 933 024
Fecha às 02:00.

5 Comments

  • Anonymous diz:

    olha, a minha segunda terra… espero que tenham provado as burras de porco… come-se lá bem e barato, sem dúvida. outro sítio a experimentar é a estalagem (lacão, carne de porco preto entre outras coisas, escolha de vinhos um pouco maior).

  • Anonymous diz:

    Vocês têm a mania que no Alentejo só há parvos e campónios,mas estão muito enganados,a nossa qualidade de vida é muito melhoe que a vossa.

  • Foi com muito prazer que encontrei este post! É sempre bom saber que o nosso trabalho surpreende e agrada os forasteiros e clientes que passam pela cabana! Obrigado Luis Figueira

  • Caro Anónimo, está enganado, eu não penso nada disso. Adoro o Alentejo, por isso é que lá vou tantas vezes e, fique sabendo, quando me sair o euromilhões é para lá que vou morar.

    Caro Luís Figueira, não tem de agradecer. Nós é que agradecemos a forma como fomos recebidos e não vemos a hora de voltar. Continuação de bom trabalho e felicidades.

  • Félix Fernández. Mérida, Espanha. diz:

    Bom dia! No passado dia 24, e logo duma feliz caminhada familiar pelos amenos campos de Ouguela (Campo Maior) com os amigos do http://www.geda.pt, a gente foi almoçar, finalmente, ao Restaurante “A Cabana”. A comida, os vinhos? Estupendos. O ambiente? Muito grato, bem aconchegadinho. O trato do amigo Luis Figueira e da sua senhora ? Ótimo! Pois é, que mais posso dizer? Ós amigos, nao hesitem! Conheçam o Parque Natural da Serra de Sao Mamede -e acreditem que é melhor a pé-, visitem a pacata e linda vila de Arronches, mas também nao esqueçam nem Mosteiros, nem Esperança, agora na moda, nem o Marco (mesmo na raia do Abrilongo com a minha terra extremeña). E reponham sempre as suas forças no descontraido cantinho do Rte. “A Cabana”!
    Cordiais cumprimentos,
    Félix-J.

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