Casa Ferreirinha Reserva Especial 2009

A última semana de Outubro ficou marcada pela apresentação do mais recente Ferreirinha Reserva Especial, um símbolo dos nossos vinhos tintos, criado em 1960 por Fernando Nicolau de Almeida, quando achou que aquela colheita não reunia a excelência necessária para ser declarado Barca Velha, o grande ícone dos vinhos de mesa em Portugal.

Desde aí esta é uma referência que, apesar da sombra do irmão mais velho Barca Velha (e também por isso), ganhou o seu espaço e conseguiu afirmar-se como um dos grandes vinhos tintos produzidos em Portugal. Há mesmo quem afirme que em algumas colheitas este é um Barca Velha a metade do preço.

2009 já tinha dado as melhores indicações com o vinho Quinta da Lêda, outra grande referência da Sogrape no Douro, a revelar-se uma excelente colheita e também por isso a deixar uma enorme expectativa para saber se este ano iria resultar em mais uma edição de Barca Velha ou Reserva Especial, o que de facto aconteceu.

A 17ª edição deste tinto duriense foi apresentado, com toda a pompa, na imponência do magnificamente preservado Palácio Nacional da Ajuda e contou com a presença da direcção da Sogrape e, obviamente, do enólogo responsável por esta declaração, Luís Sottomayor.

A sala Dom João VI, também conhecida por Salão dos Bailes, onde decorreu o jantar de apresentação do Ferreirinha Reserva Especial 2009.

Começando na Sala dos Tronos, com um Mateus Rosé de boas vindas e depois à mesa, na Sala Dom João VI, já na companhia do menu preparado para a ocasião pelo Chef Joachim Koerper (Restaurante Eleven), esta apresentação contou com as aguardadas palavras de Luís Sottomayor sobre esta declaração.

O enólogo Luís Sottomayor e o Ferreirinha Reserva Especial 2009

Começou por dizer que não foi uma decisão fácil, pois a excelência da colheita de 2009 proporcionou um vinho de grande qualidade que não envergonharia a marca Barca Velha. Brincou com o facto de José Nicolau de Almeida se ter lembrado de criar a marca Reserva Especial, que sem isso teria uma vida mais facilitada, existiriam mais colheitas de Barca Velha, o sucesso seria o mesmo e o produtor lucraria muito mais. Para de seguida, num tom mais sério, confidenciar que para tomar esta decisão houve que olhar para trás, para a vindima, para a evolução do vinho e agora, oito anos depois, perante um vinho que achou um tudo nada mais pronto que aquilo que procura para o Barca Velha, declarar o 17º Ferreirinha Reserva Especial.

Touriga Franca (45%), Touriga Nacional (30%), Tinta Roriz (15%) e Tinto Cão (10%), provenientes de vinhas de maior altitude na Quinta da Leda. Após a vinificação foram seleccionados os vinhos de maior potencial, que estagiaram durante 12 meses em barrica, seguindo-se a selecção do lote final, que voltou para a barrica durante mais uns meses (“para equilibrar e amaciar”), culminando com o engarrafamento em Junho de 2011. Chega ao mercado após este longo estágio em garrafa.

Nariz profundo e opulento, de grande complexidade, fiel ao perfil dos grandes tintos do Douro da Casa Ferreirinha. Fruta, flores, vegetal seco, eucalipto, suaves notas de barrica, tudo muito bem integrado, a originar um aroma atractivo e viciante.  A boca, de boa estrutura, com taninos polidos e acidez fina e bem proporcionada, é de grande equilibrio. Com sugestões frutadas e de especiarias, termina longo, fresco e muito saboroso. É um vinho que já dá muito prazer a beber mas que irá melhor com mais uns anos de garrafa. Foram produzidas 18.000 garrafas (18,5/175€).

Atum Tonato. Com alcaparras e frutos secos. Um dos pratos preparados por Joachim Koerper para o menu de apresentação do Ferreirinha Reserva Especial 2009.

A noite terminou com uma magnum de Vintage 78, servida às cegas, desafiando os presentes a acertar o ano. Só falhei por uma década, não está mal 🙂

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