Comer em São Miguel (Açores)

Versão cool e urbana do original Gato Mia (Ribeira Grande). Localizado bem no coração de Ponta Delgada, em frente à Igreja Matriz, tem uma decoração moderna em tons de branco e o ambiente é informal e bem disposto, com muitos turistas a preencherem a meia casa que encontrámos num dia de semana à noite. A cozinha assenta em receitas e produtos regionais, servindo pratos com um toque sofisticado e criativo. Alguns conseguidos, outros nem tanto. Reteve-se o Estaladiço de Queijo da Ilha com Maçã Verde e Redução de Vinho Tinto, muito bem na textura e no paladar. A carta de vinhos sem ser grande, oferece boa diversidade a bom preço. Optou-se por um Quinta de San Joanne Branco 2008 que se deu muito bem com os ares Açorianos. Infelizmente os copos não acompanharam, pequenos e desadequados. No geral foi uma boa refeição, a preço justo, faltou só aquele click para nos deslumbrar.
Preço médio sem vinho, 16€.

O Nacional – Rua Açoriano Oriental, 18, Ponta Delgada – 296 629 949.
Localizado no centro histórico da cidade, é uma instituição na restauração de Ponta Delgada, sendo um dos mais antigos restaurantes da cidade. Decoração simples e datada, ambiente com muitos clientes habituais e alguns turistas (almoço), ementa comum, oferta variada dentro dos pratos regionais. Comeu-se Queijo Bravo (queijo fresco com massa de malagueta), Filetes de Abrotea e, Tubarão com Molho Cocktail. Tudo dentro da normalidade, sem qualquer pingo de entusiasmo. Serviço correcto.
Nos vinhos a carta era curta mas tinha opções a bom preço, por exemplo Castelo de Alba Reserva Tinto 2009 a 13€, ou Quinta de Cabriz Tinto a 7€, só para dar dois exemplos.
Refeição normalíssima, sem história, cara para o que se comeu.

Preço médio sem vinho, 15€.

O Silva – Rua Direita 41, Ribeira Seca, Ribeira Grande – 296 472 661
Chegar lá não é fácil, há que ir perguntando, mas vale a pena pois é outra instituição dentro da restauração de São Miguel. As especialidades são o Bife à Silva e os pratos de peixe e marisco, com o Arroz de Lapas à cabeça. Mas a ementa tem muitas outras propostas igualmente tentadoras. Comeu-se o afamado bife, que não desiludiu, é de facto muito bom, o melhor dos que comi nesta viagem. O Espada grelhado, apesar de fresco, chegou sem graça, muito passado e seco. O Queijo Fresco com Molho Bravo e para terminar o Ananás, estavam ambos muito bons. Bebeu-se vinho da região, o Frei Gigante Branco 2010, leve, fresco e directo. A restante oferta vínica era curta, mas mais uma vez a preços de deixar o continente envergonhado.
Tirando a falha do Espada tudo o resto estava muito bom, vale sem dúvida uma visita. Pelo bife e para descobrir o resto das opções.
Preço médio sem vinho 16€.

Restaurante Garajau – Rua Dr Frederico Moniz Pereira, Ribeira Quente – 296 584 678
Este Garajau já tinha tido o devido destaque aqui no blog. Uma visita obrigatória numa estada na ilha. Preço médio sem vinho 18€

Restaurante Bar Aliança – Rua Açoriano Oriental 23, Ponta Delgada – 296 284 095
Outro histórico de Ponta Delgada, mesmo em frente ao Nacional. Inserido num edifício antigo, sobe-se umas escadas para as salas que ficam no primeiro piso. Decoração simples e ambiente entre os clientes habituais e alguns turistas. Do Bar do nome não tem nada. Na porta ostenta orgulhosamente o título de “Melhor Bife de Ponta Delgada” e de facto o bife é muito bom, uma bela peça do lombo, frito no ponto solicitado, com batatas fritas caseiras também muito bem fritas. No restante, Queijo Fresco, bom Pão, Morcela com Ananás, uma desgraça a primeira, esturricada por fora e com um travo amargo, e muito bom o segundo, fresco e suculento. Carta de vinhos curta e simples, a bons preços, com algumas referencias dos Açores. Vale a pena ir para provar o bife.
Preço médio sem vinho 16€.

Cantinho do Cais – Rua do Ramal 1, São Brás, Ribeira Grande – 296 442 631
Outro local que o GPS não encontra, sendo por isso imprescindível ir perguntando até lá chegar. É também conhecido pel’O Jorge, nome do proprietário. Casa simples à beira de estrada onde se serve peixe fresco de grande qualidade. Tem uma pequena esplanada, confortável e acolhedora, que é a escolha ideal para os dias com bom tempo. Aqui só se vem pelo peixe fresco.
Tudo é bom nesta casa. A Broa, as Favinhas (apesar de fora de época) Guisadas com Massa de Pimenta da entrada, a fabulosa Caldeirada (aqui chamada de Molho de Peixe), com Raia, Abrotea e Boca Negra, peixe fresquíssimo, a chegar num ponto de fazer inveja a muita casa da minha Lisboa (mas mesmo a muita), composta por um molho perfeito, tudo no ponto, temperos, texturas, sabores, com um leve travo a hortelã a fazer lembrar os maravilhosos ensopados do saudoso Redes ao Mar na Azambuja. Maravilhosa surpresa. Para terminar uma deliciosa e fresca fatia de ananás. O serviço é simpático apesar de muito lento.
Nos vinhos a carta é curta, mas tem boas referencias e a bons preços. Por exemplo Duas Quintas Tinto/Branco a 12,50€. Os copos são fracos, mas pelo meio vi passar uns bem decentes para uma mesa ao lado, isto de ser cliente da casa ainda tem o seu quê. Optou-se por um vinho da região, o Quinta do Jardinete Branco 2011, feito a partir de chardonnay, sauvignon blanc e gewurztraminer (penso), simples, directo, bom para a mesa.
Esta foi sem dúvida a melhor refeição de toda a viagem e uma das melhores caldeiradas de peixe que já comi. É um lugar de visita obrigatória numa viagem ao lado Norte da Ilha de São Miguel.
Preço médio sem vinho, 12€.

Estes foram alguns dos restaurantes que visitei aquando da minha passagem pela Ilha de São Miguel e que deixo como referências para futuras visitas. Se for possível chegar a conclusões, com esta pequena amostra, sobre a restauração de São Miguel, é que fora de Ponta Delgada se come melhor, que os vinhos têm todos uma excelente relação qualidade – preço, apesar de ainda haver muito a fazer com o seu adequado serviço. Inquestionável a qualidade do ananás e do queijo fresco com molho bravo, que são presenças assíduas, perfeitamente justificadas, nas mesas de São Miguel.

Acabei por falhar, por incompatibilidades diversas, duas referências que levava comigo. O restaurante A Colmeia, afamado por ser um dos melhores da ilha e o cozido das Furnas, algo que ficará para uma próxima oportunidade.
Por último, fica o agradecimento às preciosas dicas do João Vasconcelos Costa e da Carolina Ferreira, dois Micaelenses de gema, sem as quais esta jornada não tinha sido tão prazerosa.

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