5º Festival do Vinho do Douro Superior

Decorreu no passado fim de semana na cidade de Vila Nova de Foz Côa mais um Festival do Vinho do Douro Superior. Na sua 5ª edição, este evento voltou a ser organizado pela Câmara Municipal de Foz Coa em parceria com a Revista de Vinhos, que levaram a cabo mais uma mostra alargada dos vinhos (e produtos regionais) que vão sendo produzidos na região. Esta sub-região do Douro é reconhecidamente berço de alguns dos melhores vinhos que se produzem em Portugal pelo que é sempre com boas expectativas que se enfrenta este fim de semana de Maio.

Douro Superior

Um dos momentos altos do festival é o Concurso dos Vinhos do Douro Superior onde normalmente estão presentes alguns dos pesos pesados da região, uma singularidade que não acontece noutros concursos onde os produtores acabam por “poupar” os teus topos de gama. Outra particularidade deste concurso é que só podem participar os vinhos expostos no evento e que estão dessa forma disponíveis para prova a todos os visitantes. Foi uma honra voltar a fazer parte do júri, os resultados já são conhecidos e já os divulguei aqui.

5º Concurso dos Vinhos do Douro Superior

Este ano, à semelhança do anterior, tive também o prazer de ser convidado pela organização para estar presente no evento e nas visitas preparadas a alguns produtores da região. Na sexta-feira, primeiro dia do festival, ainda consegui assistir a um pouco do Colóquio “Douro Superior: Fronteiras da Liberdade” e presenciar as entusiasmadas intervenções de Pedro Ferreira (escanção do restaurante Pedro Lemos), Francisco (Vito) Olazabal (Quinta do Vale Meão), Luís Sequeira (administrador do grupo The Fladgate Partnership) e Joaquim Almeida (Quinta Vale de Pios). Tudo isto moderado pelo jornalista da Revista de Vinhos, Luís Antunes, num debate que contou com muitos outros nomes sonantes do Douro actual e com uma participação muito especial do escritor e jornalista Mário Zambujal.

Colóquio Douro Superior : Fronteiras da Liberdade

No sábado, dia que começou bem cedo com as provas para o concurso, tive a oportunidade de sentir o pulso à feira e provar alguns dos vinhos presentes. Do pouco que provei, descontraidamente e sem retirar quaisquer notas, retive na memória os Conceito, os Quinta Vale de Pios e uns vinhos que já não me lembro o nome (Rasgado?), do produtor e enólogo Artur Rodrigues, que vim a saber também fazer a enologia de alguns pequenos projectos da região. Estes últimos surpreenderam pela relação qualidade-preço e são um exemplo de como é possível um pequeno produtor, mesmo a fazer vinho barato, manter a identidade da sua região. A juntar a estes, os sensacionais Muxagat e Passagem, e os consagrados Crasto e Vale Meão, estes já no âmbito das visitas efectuadas às respectivas quintas. Mas nem tudo foram rosas. Apanhei também muita coisa sem graça, pesadona e uniformizada, principalmente nas gamas mais baixas. Vinhos que podiam ser do Douro Superior ou de qualquer outro lugar do planeta. Um caminho fácil, que mais cedo ou mais tarde se vai revelar não ser o correcto. Sábado não terminou, em jeito de aperitivo para o jantar, sem um Porto de honra na Vinho & Eventos de Armindo Janeiro, na Mêda. Uma garrafeira que conheci numa viagem que fiz ao Douro em 2010 e que constato com felicidade que se mantém em boa forma.

Mas o Festival do Vinho do Douro Superior não se confina aos vinhos, os sabores da região também estão presentes e para um visitante alfacinha como eu são sempre um regozijo. Os azeites, os enchidos, os queijos e as amêndoas, são produtos autóctones de grande qualidade a que ninguém consegue ficar indiferente. Um expositor onde acabo por ficar mais demoradamente é o da Dona Dina, das Amêndoas de Moncorvo. Uma delícia.

Douro Superior

Além do Concurso, do Colóquio e dos 70 expositores presentes, o programa do festival adicionava ainda mais alguns pontos de interesse. As habituais provas comentadas, que foram três e este ano tinham como tema os “Grandes brancos do Douro Superior”, “Vinhos do Porto em harmonização com chocolates” e “Grandes tintos do Douro Superior”. Também o 1º Concurso de Azeites Virgem Extra de Trás-os-Montes e Alto Douro. E para fechar o dia de sábado e alimentando uma vertente mais popular, o concerto de Jorge Palma & Sérgio Godinho, dois nomes grandes da nossa música que se juntaram para uma tournée conjunta e que agora passaram por Foz Côa.

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Francisco Javier de Olazabal, Maria Luísa de Olazabal e Luísa de Olazabal, a família da Quinta do Vale Meão.

Para mais tarde, que isto já vai longo, ficarão as visitas aos produtores visitados. Uma viagem por alguns dos melhores vinhos produzidos nesta sub-região com as deslumbrantes paisagens do Douro Superior como fundo. A oportunidade de ouvir de viva voz e no próprio terroir as ideias e projectos de quem escolheu esta terra inóspita para fazer vinho e viver. Da histórica Quinta do Vale Meão, adquirida por Dona Antónia Ferreira em 1877, à mais singela adega dos formidáveis Muxagat Vinhos, passando por outros três projectos muito diferentes entre si. A Quinta das Bandeiras, onde Jorge Moreira produz os vinhos Passagem numa joint venture entre a Quinta de la Rosa e Poeira. A Quinta da Terrincha, um produtor recente que tem feito uma grande aposta no enoturismo e que já disponibiliza uma oferta turística muito interessante para a região. E para terminar o penta, last but not least, uma das incursões da Quinta do Crasto no Douro Superior com a cénica Quinta da Cabreira.

Muxagat, Douro Superior

Luís Seabra e os Muxagat

Esta foi uma viagem que começou e terminou com ajuda do finalmente estreado Túnel do Marão. Um troço de apenas 6 km (o maior túnel da Península Ibérica) mas que simbolicamente pode representar um franquear de novas portas para lá do Marão. Uma região imponente, bruta, inóspita em alguns casos, mas de uma beleza e riqueza singulares. As infra-estruturas ainda estão longe das ideais, há muito a percorrer, tanto no sector da restauração como da hotelaria, mas com os investimentos que vão sendo feitos aos poucos, muitos deles movidos pela força motriz do vinho, Portugal poderá contar num futuro próximo com mais uma importante peça para o xadrez do seu valioso turismo. E tanto que há aqui por descobrir.

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