Enoteca de Belém

Não vou entrar em grandes detalhes sobre o que é a experiência de fazer uma refeição nesta Enoteca de Belém, um lugar que conheço desde o dia zero e que, confesso, na altura coloquei em duvida a sua afirmação. Não que a qualidade do que oferecem não fosse garante de sucesso, mas o local, quase imperceptível para os passantes, deixou-me cheio de reservas. É que quem passa para ir aos Pasteis de Belém não imagina o que existe naquela estreita travessa. A verdade é que passados estes anos (e já serão alguns, não consigo precisar) a Enoteca além de cá continuar, cheia de pujança, passou a fazer parte do itinerário obrigatório de um winelover na capital portuguesa.

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Enoteca de Belém

A carta de vinhos está exposta…

Enoteca de Belém

…basta ter bom olho.

Travessa da Ermida

A Enoteca está inserida no projecto cultural da Travessa da Ermida, onde a Ermida de Nossa Sra da Conceição converte-se em centro de exposições.

Enoteca de Belém

A refeição começa sempre com bom pão, boa manteiga caseira e bom azeite.

Os vários prémios e menções que tem recebido ao longo da sua existência têm sido justos, como tive oportunidade de conferir pelas várias visitas que fiz nos últimos doze meses. Estamos, definitivamente, perante um dos melhores locais em Lisboa no que toca ao serviço de vinhos e à harmonização destes com uma refeição. Os pratos da carta são concebidos a pensar nos vinhos que os vão acompanhar, mas também se desenham menus (por encomenda) à medida do que o cliente quer beber naquele dia.  A paixão do anfitrião Nelson Guerreiro por este universo é evidente e isso reflecte-se na qualidade do que nos é oferecido.

Enoteca de Belém

Em jeito de amuse bouche uma Sopa de Castanhas e Presunto. Com os rebentos de coentros a dar frescura e o presunto a conferir o lado salgado e crocante do prato. A textura é de veludo e o resultado final deixa-nos de água na boca para o que aí vem. Quem diria que andaria aos beijinhos com um Chardonnay da Borgonha, no caso o Mersault 2005 do Domaine Bouchard.

Enoteca de Belém

Tártaro de Salmão, Lichias e Sabayon de Soja, uma entrada a piscar o olho aos sabores orientais. Surpreendente a harmonia deste prato. A frescura do peixe, a doçura da lichia, o equilíbrio salgado do sabayon. Um dos meus favoritos. Brilhou em conjunto com o López Heredia Vina Tondonia Gran Reserva Blanco 1991.

Enoteca de Belém

Folhado de Requeijão. Entrada fresca espevitada por um chutney de pimentos e uma rúcula levemente picante.

Enoteca de Belém

Bacalhau à Gomes de Sá. Antes de começarem a disparar que a receita não é assim deixem-me só enquadrar que esta era uma versão desconstruída com batatas fritas às rodelas, azeitona laminada e ovo escalfado (no ponto). Sabores clássicos, superiormente conjugados com o Doda 2005 e o Pera Manca Tinto 2008. Melhor com o primeiro que o segundo.

Enoteca de Belém

Bacalhau Escalfado com Pak Choi. Cozinhado a baixa temperatura, temperado por bom azeite e alho. Impecável a cocção do fiel amigo, bem secundado pela couve chinesa e por uns rebentos de soja.

É importante acrescentar que estas visitas têm acontecido no âmbito da #Provados7 , o grupo de prova que tenho a honra de partilhar com bons amigos e excelsos winelovers. Não é fácil lidar com refeições para harmonizar com tantos vinhos, com tantos copos e decantadores em cima da mesa e tantas pessoas para servir, mas a verdade é que a Enoteca tem-lo feito com um profissionalismo e simpatia irrepreensível. 

Enoteca de Belém

Bochecha Confitada com Gratin de Batata. Intenso e delicioso, acrescentado pela complexidade de um travo a morcela e pela redução de vinho tinto. Para empurrar, Buçaco Tinto 2002, Vale Meão 2009 e Bágeiras Garrafeira Tinto 2005 (em magnum). Enorme a harmonização com o último.

Enoteca de Belém

Bife do Lombo com Molho Béarnaise. Boa peça do lombo, tenra e suculenta, mal passada conforme solicitado. Batatas fritas gulosas, cebola e linguiça a darem boa assessoria.

Nelson Guerreiro

Nelson Guerreiro nas suas sete quintas, a servir grandes vinhos.

Chefe Ricardo Gonçalves

O Chefe Ricardo Gonçalves (ex Pine Cliffs, Vírgula e Bica do Sapato) é o responsável pelo lado sólido da Enoteca. Uma cozinha que tem início em bases clássicas mas que por vezes termina em conjuntos inovadores e entusiasmantes. Sempre com a sensibilidade de perceber que os vinhos são os reis da festa.

Enoteca de Belém

Pão-de-Ló de Laranja com Pudim. Com sobremesas destas até apetece comer à pressa para lhes chegar rápido. O pudim leva toucinho (nada a ver com o Abade), tem uns frutos silvestres a emprestar acidez, mas são umas pepitas de flor de sal e uns grãos de pimenta que levam tudo para outra dimensão. Difícil é comer só uma.

Enoteca de Belém

Bombom de Bagaço e Gelado de Ginja. Com uma redução de ginja a adoçar o conjunto. Muito bom. Foi bom parceiro para o Vintage.

#Provados7

Assim ainda dá mais prazer beber grandes vinhos.

Enoteca de Belém

A carta de vinhos, para um wine bar, não é muito extensa, mas quase 100 referências chegam de sobra para nos deixar indecisos na hora da escolha. Copos e garrafas a preço único, 4,5€ e 22€, respectivamente. O espaço é pequeno e por isso convém reservar, o ambiente é acolhedor, a decoração é simples, com uns Paula Rego a darem vida ao lugar. O serviço, conforme já foi dito, é de topo, assim como as iguarias que nos chegam ao prato. Tudo para conferir, sem receios, ali na zona monumental de Belém, paredes meias com os afamados Pasteis.   

Enoteca de Belém  
Travessa Marta Pinto 10, Belém, Lisboa
Tel: 21 363 1511
E-mail: [email protected]
Todos os dias das 13:00 às 22:30
Preço médio: Refeição completa, 30€. Copo de vinho e petisco, 15€.

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