Esporão Reserva Tinto 2012

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O Reserva Tinto da Herdade do Esporão é aquele vinho que nunca nos deixa ficar mal. Se vou jantar a casa de alguém a quem não conheço o gosto, então esta será uma das primeiras opções a ter em conta. É um vinho que agrada a todos, de conhecedores a simples bebedores, e isso nos dias que correm é uma característica que dou imenso valor. Não é fácil ser considerado conhecedor por um grupo de amigos fora da esfera do vinho que habitualmente me delegam a responsabilidade de escolher os vinhos para os nossos encontros. Não resulta, porque já tive a experiência, levar aquele vinho mais difícil e diferente, pois fazem caretas e olham para mim com aquela cara “que zurrapa é esta?”. Resta-me por isso escolhas consensuais, onde todos possamos retirar prazer dos vinhos e nesse campeonato, o Esporão Reserva, não sendo aquele vinho para o dia a dia, sai muitas vezes a ganhar.

Passando ao dito, esta é a 27ª colheita de um vinho que desde o início se caracterizou pelos seus rótulos personalizados. Este clássico do Alentejo traz em cada edição a reprodução de uma obra de um artista plástico no rótulo e é quase um objecto de culto para um vasto leque de coleccionadores. Esta colheita de 2012 chega-nos ilustrada com uma paisagem alentejana em tons de encarnado e branco (haverá combinação de cores mais bonita?) a partir de uma obra original do artista plástico Alberto Carneiro, que também já tinha dado cor aos rótulos do Reserva e Private Selection Branco de 2013.

Com a enologia a cargo de David Baverstock e Luís Patrão, este Reserva foi produzido a partir de um lote constituído por Alicante Bouschet, Aragonez, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, tendo estagiado 12 meses em barrica e depois mais 12 meses em garrafa antes de chegar ao mercado. Um estágio já digno da denominação Reserva.
Mostrou-se cheiroso, com tudo de bom que este adjectivo encerra. Frutos silvestres vivos e frescos, leves notas vegetais a espevitar a coisa, tudo bem embrulhado pela barrica que se nota mas não passa por cima. Nada pesado na boca, com corpo mas cheio de equilíbrio, entre os taninos finos  e uma bela persistência final. Gostei francamente. Da frescura e equilíbrio do conjunto especialmente. Até me pareceu que havia menos barrica que em anos anteriores, algo que o comercial do Esporão no recente Porto Winemarket, António Monteiro, me esclareceu que não, que o tempo e a tosta são as mesmas das últimas colheitas. Chega ao mercado com o preço de 16€ e não sendo aquele segmento que podemos beber amiúde vale bem a pena para aqueles momentos especiais.

Para finalizar e numa altura que tanto se fala de marketing online uma palavra para o excelente trabalho que o Esporão tem feito neste campo.
Há algum tempo atrás a presença nas redes sociais para os produtores de vinho em Portugal resumia-se, salvo raras excepções, a um absoluto zero. Hoje em dia, como que acordados de repente, não há produtor que não tenha a sua página no facebook ou perfil no twitter (aqui menos, em PT o twitter nunca atingiu a importância que tem nos Estados Unidos, Brasil, Inglaterra, ou mesmo na vizinha Espanha). Mas saber estar nas redes sociais é como saber estar na vida, nem tudo se pode dizer de qualquer forma ou em qualquer ocasião. Este principio ganha uma dimensão ainda maior quando se trata de uma marca comercial.
A autenticidade das publicações, sustentadas em registos definidos para um público alvo, são a forma de determinada marca ou produto se destacar de toda a avalanche de publicidade que nos invade o dia a dia. O Esporão, com uma comunicação simples, sóbria e moderna, onde faz por afirmar as suas convicções relacionadas com o ambiente, a sustentabilidade e as tradições, têm-no feito da melhor forma.
Se vos interessa o tema, deixo a ligação para este pequeno artigo do Público sobre a conferência internacional que aconteceu em Lisboa, promovida pela conceituada revista Monocle, sobre a reflexão da qualidade de vida, onde a comunicação das marcas também esteve em destaque.

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