Foz Torto

Nestes últimos anos têm sido muitas as historias de famílias urbanas que em busca da tranquilidade e paixão pela vida rural acabam por mudar de vida.

Abílio Tavares da Silva personifica mais uma dessas felizes historias. Empresário de sucesso em Lisboa, este engenheiro informático de formação chegou ao momento da sua vida em que a paixão (que já tinha) pelo Douro e pelo vinho falou mais alto e o fez reequacionar o futuro. Desfez-se do seu passado empresarial, pegou na família e partiu em busca de uma quinta no Douro, onde pudesse cumprir o sonho de produzir vinho e viver em paz com a natureza e consigo próprio.

20151127_154636

Sandra e Abílio Tavares da Silva. Enóloga e Produtor.

Depois de muita pesquisa, adquiriu em 2005 a Quinta de Foz Torto, próximo do Pinhão, na confluência do rio Torto com o Douro, que com os seus 14 hectares e vistas de cortar a respiração foi o local eleito para dar forma ao seu projecto. A vinha da propriedade foi alvo de uma profunda intervenção, mantendo os 3 hectares existentes de vinhas velhas e replantando-se o restante com as castas típicas da região. Para a vinificação foi recuperada, respeitando o mais possível a traça original, uma antiga adega no centro da Vila do Pinhão e a enologia ficou a cargo da reconhecida enóloga, Sandra Tavares da Silva, que apesar da coincidência do apelido, não é familiar de Abílio. Estavam assim reunidas as condições para a colheita de 2010 dar à luz os primeiros vinhos da marca Foz Torto.

Estamos por isso perante um jovem projecto que aos poucos vai marcando o seu lugar no mapa dos vinhos do Douro. Agora, decorreu em Lisboa, no restaurante Horta dos Brunos, a apresentação das novas colheitas onde foi possível, na presença de Abílio e Sandra Tavares da Silva, conhecer os novos tintos de 2013 e branco de 2014, bem como revisitar as anteriores colheitas.

20151127_120416

20151127_133808

Primeiro as novidades. O Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2014 é produzido a partir de 1 hectare de vinhas velhas que Abílio Tavares da Silva adquiriu em Porrais, Murça. Maioritariamente de Códega do Larinho e Rabigato, teve estágio de 6 meses em barrica e mostrou-se contido e austero no estilo. A barrica está bem integrada, a fruta está envolta num fundo mineral e o vinho está fresco e elegante, num perfil jovem mas com acidez e estrutura suficiente para crescer em garrafa. PVP 21€.

Depois os tintos de 2013. Sandra Tavares da Silva explicou que devido às maturações precoces das uvas na Quinta de Foz Torto foi possível vindimar antes das chuvas que vieram dificultar a colheita de 2013. O Foz Torto Tinto 2013 nasce de um lote de várias castas onde a Touriga Nacional, a Touriga Franca e a Tinta Roriz estão em maioria e estagiou durante 16 meses em barrica. De estilo duriense, com a diversidade de aromas que as muitas castas misturadas proporcionam. Fruta preta silvestre, flores e especiarias, tudo sobre a presença da barrica. A boca, de entrada de chocolate, mostra boa concentração, é apelativa e tem a acidez suficiente para segurar o vinho. Outro que tem mais para mostrar com o tempo. PVP 12€.

20151127_113747

O Foz Torto Vinhas Velhas Tinto 2013 estagiou em barrica durante 18 meses e foram cheias apenas 3000 garrafas. A complexidade e profundidade não deixam duvidas, estamos perante um topo de gama do Douro. Nariz intenso, de fruta silvestre de boa qualidade, alguma mineralidade e suaves notas a especiarias que vão surgindo à medida que o vinho vai arejando no copo. Macio, intenso, equilibrado, com uma estrutura sólida que vem de mão dada com uma boa acidez. Tem taninos vivos e sugestões de barrica que pedem tempo. Tem também frescura, complexidade e uma grande persistência final. Para acompanhar nos próximos anos. PVP 30€.

20151127_114056

O momento serviu também para revisitar as colheitas de 2010 a 2013 e a ideia principal que ficou é que o trabalho com a madeira está hoje muito mais afinado. É interessante verificar essa evolução à medida que vamos avançando nos anos. 2010 e 2011 mais marcados pelas notas de barrica, para depois sentirmos uma maior harmonia de conjunto à medida que os anos vão passando.

Em grande forma estão os Vinhas Velhas de 2012, a reforçar a ideia, cada vez mais evidente, que este foi um grande ano no Douro. O Tinto está de uma atracção tremenda, com uma elegância que o destaca dos demais e o Branco , cheio e concentrado, num vinho de grande equilíbrio, onde a mineralidade e acidez assumem o protagonismo. Merecedor de atenção foi também o Branco Vinhas Velhas de 2013 ainda envergonhado mas a mostrar uma elegância que o pode bem catapultar para o titulo de melhor Foz Torto Branco até ao momento. Durante o almoço os vinhos foram sendo colocados à prova perante uma grande diversidade de pratos e mostraram boa aptidão no cruzamento com a comida, desde as entradas mais leves aos pratos mais concentrados de sabor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *