Joan Roca no Peixe em Lisboa

Está a decorrer até amanhã, domingo 19, a 8ª edição do festival gastronómico Peixe em Lisboa, que mais uma vez traz ao Pátio da Galé, na Praça do Comércio, alguns dos melhores cozinheiros do mundo e o melhor da cozinha de mar em Portugal.

A passada terça-feira foi um dia especial. Foi o dia que Joan Roca, o Chef do restaurante El Celler de Can Roca, três estrelas no Michelin e nº 2 na The Worlds 50 Best, regressou ao Peixe em Lisboa, onde esteve em 2010, para mais uma vez encantar os portugueses com a sua apresentação no auditório criado para o efeito, que encheu totalmente.

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Não vou entrar em grandes detalhes técnicos sobre os pratos, até porque abordar uma cozinha tão complexa e meticulosa, de técnicas tão delicadas e precisas, exige conhecimentos que não possuo. Prefiro destacar a simplicidade e simpatia que Joan Roca emprestou à apresentação, deixando todo o auditório absolutamente rendido.
Durante uma hora deu a conhecer vários projectos, paralelos e complementares, que ajudam a desenhar a cozinha que actualmente praticam no El Celler de Can Roca, mas sempre com a incessante procura de inspiração para a criatividade como tema central.

Seja na Cooking Tour Experience, a viagem que durante cinco semanas levou toda a equipa ao Texas, México, Colômbia e Perú, para juntos conhecerem as técnicas daquelas cozinhas, inspirando-se com visitas a mercados e restaurantes, ou em conversas com cozinheiros de várias realidades. Esta experiência serviu de mote para as criações que Roca e o seu cozinheiro (que infelizmente não consegui o nome) apresentaram no show cooking de Lisboa. Seja na conversão da La Masia, a casa junto ao restaurante onde aconteceu a ópera gastronómica El Somni, em centro de formação e criatividade, onde se inspiram juntamente com toda a equipa para criarem novos pratos. Seja ainda no mais recente projecto Tierra Animada, que consistiu em identificar cerca de 300 espécies de flores, ervas e plantas, com potencial gastronómico, numa área definida em torno do El Celler de Can Roca. A segunda parte deste projecto passa por destilar estas ervas na busca de novos sabores voláteis para os pratos.

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A Corvina (se percebi bem) com uma interpretação de Mole Verde acompanhados por um calendário Azteca em massa de taco…

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Gamba com rebentos de citrinos e molho da cabeça da mesma. As patas foram desidratadas e tornam-se crocantes ao ponto de também poderem ser comidas como um snack.

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As tortilhas de massa kadaif com pequenos camarões que completam o prato da gamba.

Pelo meio houve tempo de falar no restaurante de seus pais, que fica próximo do seu, onde todo o staff do El Celler come habitualmente. A apresentação termina com a passagem de algumas cenas do já referido El Somni, o filme que foi transmitido na integra às 21:00 do mesmo dia, também no âmbito do festival Peixe em Lisboa, havendo no final lugar a uma troca de opiniões entre o público e o próprio Joan Roca. Uma disponibilidade de realçar.

Espero não exagerar ao dizer que foi uma das melhores apresentações do Peixe em Lisboa que tenho memória. Não pela espectacularidade ou encenação da mesma, mas pela abertura e proximidade ao público que Joan Roca demonstrou. Uma humildade que faz questão de ir revelando como essencial para prosseguir o seu processo de criação e inovação.

Uma palavra final à organização do Peixe em Lisboa, que ano após ano e perante obstáculos vários, continua a proporcionar-nos momentos como este. O Peixe em Lisboa é hoje em dia um festival que galgou fronteiras, ganhou lugar no calendário gastronómico internacional e é muito mais do que o visitante ocasional observa quando visita o Pátio da Galé. As actividades paralelas sucedem-se, dentro ou fora do programa oficial e contribuem também para durante o mês de Abril colocar Portugal numa rota de visibilidade muito importante para a afirmação da nossa gastronomia fora de portas. Um privilégio que enquanto portugueses devemos acarinhar e continuar por fazer merecer.

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