Massa Mãe (Lisboa)

A descaracterização das cidades motivada pelo turismo é uma realidade muito debatida pela sociedade actual e um assunto que continua na ordem do dia. Como encontrar o equilibrio entre o interesse económico e a identidade dos lugares, tem sido a pergunta para a qual todos procuram resposta. Em Lisboa, há muito que a pressão turística retirou os lisboetas do centro da cidade, não só porque o preço da habitação se tornou insustentável para o comum dos mortais, mas principalmente porque ninguém quer viver na Disneyland turística que a Baixa de Lisboa se tornou.

E se isso não é uma boa notícia para as cidades, incapazes de preservar a sua identidade para quem as visita e para quem nelas vive, abre no entanto novas oportunidades a bairros e zonas que até aqui eram tidas como exclusivamente residênciais ou periféricas. Para isso muito tem contribuido um novo comércio local, jovem, de qualidade, ajustado aos nossos tempos, que tem tornado esses bairros cada vez mais atractivos para viver e visitar. Uma tendência dentro desse estilo de comércio tem sido as padarias artesanais, que têm proporcionado a muitos voltar a consumir um pão de grande qualidade, algo a que alguns nunca tinham tido acesso e a que outros já não se recordavam.

A Massa Mãe é um desses exemplos, que tenho a sorte e a felicidade de ter aberto há uns meses no meu bairro. É um verdadeiro luxo ter um pão desta qualidade à porta de casa e é com muito regozijo que vejo o negócio a prosperar e a conquistar as pessoas do bairro. Se ao início pode ter causado estranheza o local para aquele conceito, hoje já é uma certeza o caminho para o melhor pão daquela parte da cidade. Quem arrisca e tem gosto no que faz, mais cedo ou mais tarde acaba sempre por triunfar. Não vos vou sugerir irem de propósito a São Domingos de Benfica comprar pão, se bem que o mesmo merece o desvio, mas por exemplo, se forem ao Jardim Zoológico ou ver o Glorioso, duas âncoras da freguesia, não deixem de experimentar (Encomenda obrigatória, sob pena de perderem o melhor da festa). Assim se vão fazendo as cidades dos dias de hoje.

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