Montes Claros Reserva Tinto 2014

Abaixo de 5€ no Lidl. Por vezes, porque me diverte o exercício e ao mesmo tempo sente-se o pulso ao mercado, quando vou ao supermercado gosto de incluir no cesto um ou outro vinho que habitualmente não entra nas minhas escolhas de consumo. O critério é apenas um, vinhos acessíveis no preço. A partir daí é olhar o escaparate e esperar que um estímulo me incline para uma referência em detrimento da do lado.

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Neste caso foi no super-mercado Lidl, uma superfície que até nem tem grande tradição na oferta de vinhos, mas que desde há uns tempos para cá tem sido notória a aposta na melhoria da sua garrafeira, sempre num registo comercial e acessível, como é apanágio deste gigante alemão do retalho.

A escolha desta vez recaiu no vinho alentejano Montes Claros Reserva 2014, que estava com um preço simpático (primeiro impulso) e porque me apercebi que já não provava há bastante tempo (segundo e definitivo). A ideia que trazia das ultimas e distantes provas era de um vinho concentrado, amadeirado e compotado, características que contribuíram para o meu progressivo desinteresse e agora estava curioso de perceber, numa fase que a tendência é aligeirar, o que a Adega Cooperativa de Borba andava a fazer com esta referência.

O mote para o seu consumo foi dado pelos aromas de umas costeletas de porco preto na grelha (que o talho lá do bairro as tem boas)  que estavam mesmo a pedir por um encorpado alentejano. Aberta a garrafa, já depois de previamente refrescada como todos os vinhos tintos no Verão devem ser, encontrei um tinto de média concentração, de aroma atractivo, a fruta madura, com nuances de barrica e suaves mas atractivas notas florais. A boca é redonda e macia, refrescada por uma acidez contida mas suficiente para segurar o vinho e torná-lo num todo agradável e harmonioso. Até o álcool parece mais domado. Acompanhou lindamente o prato e nunca aborreceu durante toda a refeição, o que é sempre bom sinal.

À imagem da tendência do mercado, está com um perfil mais leve, muito mais interessante, onde as pesadas notas de compota e barrica já não aparecem e por conseguinte originaram um vinho mais fresco e equilibrado. Quem gosta de alentejanos frutados e encorpados vai continuar a gostar, mas traz um aligeirar de estilo que se saúda e pode abrir a porta a novos consumidores. Achei uma melhoria significativa.

Montes Claros Reserva 2014
Produzido pela Adega Cooperativa de Borba
Lote de Aragonez, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Syrah.
Estágio em barrica durante 12 meses seguido de mais 6 em garrafa.
14% de volume de álcool.
Abaixo de 5€ no Lidl.
16 Pontos

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