Os 10 Melhores Tintos do Alentejo

Quais são os melhores vinhos tintos do Alentejo? Quais, aqueles que através das suas características, melhor exprimem uma região que ano após ano é unanimemente considerada como a preferida dos consumidores portugueses?

No momento em que os excessos de madeira começam aos poucos a abandonar os vinhos da região, proporcionando conjuntos mais frescos e equilibrados, fui à procura de respostas para esta pergunta. Para o efeito elaborei uma lista com os 10 melhores vinhos tintos do Alentejo, socorrendo-me da ajuda de um conjunto de pessoas ligadas ao meio e que, muitos deles, estão também de alguma forma ligadas à região.

O resultado, apesar de incluir muitos dos pesos-pesados da região, acabou por surpreender com algumas referências que talvez não nos viessem de imediato à ideia quando pensamos nos melhores do Alentejo. Pela forma informal como foi concebida é uma lista sem qualquer pretensão, apenas o resultado de um exercício curioso onde, no papel de consumidores, um conjunto de individualidades através das suas preferências ajudou a escolher 10 tintos que expressam a grandeza de uma região e a elevam em qualquer parte do mundo.

1 – Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2009

Quinta do Mouro Rótulo Dourado

O topo de gama da Quinta do Mouro, projecto de Miguel Louro em Estremoz, foi o vinho favorito do maior numero de pessoas que ajudaram a elaborar esta lista. O Rótulo Dourado é um ícone do Alentejo e mostrou que mantém a sua cotação nos píncaros das grandes referências da região. Foi indiscutivelmente o mais escolhido e, curioso, quase unânime nas escolhas femininas. Nascido numa vinha própria de baixa produtividade, com um lote dominado pela Alicante Bouschet, este é um vinho singular, de grande longevidade e um exemplo maior da elegância e frescura dos tintos da planície. O preço não é amigo (cerca de 70€) mas ajuda a construir a aura de exclusividade que se impõe aos grandes vinhos.

2 – Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2011

Não se pode dizer que tenha sido um resultado surpreendente mas confesso que fiquei contente a ver um projecto de autor afirmar-se desta forma na segunda posição desta lista. O topo de gama do projecto do enólogo Rui Reguinga na Serra de São Mamede, junto a Portalegre, é um dos vinhos com maior expressão de terroir desta lista e foi, destacadamente, o segundo mais escolhido pelos meus convidados. Vinhas velhas em altitude, para um vinho com reconhecida aptidão para bem envelhecer. Por cerca de 30€ temos oportunidade de conviver com um dos maiores do Alentejo.

3 – Zambujeiro 2009

O projecto que o suiço Emil Stricker iniciou em 1998 na sua Quinta do Zambujeiro na região de Borba, a norte da Serra d’Ossa, não tem tido o justo reconhecimento entre nós, passando ao lado de uma grande fatia de consumidores. Mas a verdade é que pé ante pé tem surgido insistentemente no topo das grandes referências da região, o que voltou a acontecer nesta lista, tendo-lhe cabido a responsabilidade de fechar o pódio dos grandes tintos do Alentejo. O Zambujeiro é o topo de gama deste produtor, um vinho muito virado para a exportação mas que, pela sua qualidade superior, merece ser descoberto por todos. Um gigante do Alentejo, como aqui fica demonstrado.

4 – Dona Maria Reserva 2009

Júlio Bastos é uma das grandes referências do Alentejo de hoje e não é de estranhar que os seus vinhos surjam em evidencia nesta lista. Saído de uma propriedade que produz vinho há mais de 150 anos, o Dona Maria Reserva é um dos seus topo de gama, produzido a partir das melhores uvas de vinhas velhas e fermentado em lagares de mármore. É um vinho que já nos habituou a estar entre os melhores do Alentejo e nesta lista não fugiu à regra. É, a par do 10º classificado, o vinho mais barato deste top ten (cerca de 20€) e também por isso merece destaque.

5 – Mouchão Tonel 3-4 2005

Poucos vinhos em Portugal são tão badalados e procurados como os Mouchão. Então se estivermos a falar dos raros e exclusivos Tonel 3-4, aí entramos noutro campeonato, numa dimensão de excelência, do melhor que o Alentejo tem para dar. A Herdade do Mouchão está na posse da família Reynolds desde o final do século XIX e é uma das mais históricas propriedades produtoras de vinho em Portugal. Em anos excepcionais, há dois grandes toneis de madeira na adega do Mouchão, o numero 3 e o numero 4, que são os protagonistas daquela colheita. Neles se encerram em estágio, durante largos meses, aquele que virá a ser um dos vinhos mais procurados do Alentejo, o famoso Mouchão Tonel 3-4. O 2005 foi produzido a partir das famosas vinhas velhas de Alicante Bouschet da propriedade e mostra uma longevidade a que os grandes Mouchão já nos habituaram. Incontornável.

6 – Estremus 2011

Para mim esta foi a grande surpresa da lista. Não que o vinho não tenha qualidade de sobra para aqui estar mas porque é uma marca muito recente, com apenas 2000 garrafas produzidas, sem um histórico que suporte a sua presença nos grandes vinhos da região. O produtor João Portugal Ramos andava há vários anos a tentar produzir um vinho excepcional, daqueles que ficam para a história e, com a aclamada colheita de 2011, conseguiu encontrar as uvas que tanto procurava. Estas saíram de uma pequena parcela em chão de mármore junto ao castelo de Estremoz para dar forma a um vinho a todos os títulos notáveis, dos melhores tintos do Alentejo que provei nos últimos tempos. Por esse motivo não hesitei em colocá-lo nas minhas escolhas, felizmente que não fui só eu a pensar assim o que lhe deu a possibilidade de figurar nesta lista.

7 – J de José de Sousa 2011

J de José de Sousa

O antigo sonho da família Soares Franco em produzir vinho no Alentejo numa propriedade carregada de história, concretizou-se em 1986 com a compra da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes (de onde saíram alguns dos vinhos mais míticos do Alentejo). É nesta propriedade, em Reguengos de Monsaraz, que é produzido actualmente o topo de gama dos vinhos alentejanos da José Maria da Fonseca. Utilizando o mais possível os métodos tradicionais de vinificação, o J de José de Sousa é um vinho produzido a partir das castas Grand Noir (saída da antiga vinha José de Sousa, uma das mais antigas do Alentejo), Touriga Franca e Touriga Nacional, com pisa a pé em lagares e fermentação de parte do lote nas centenárias ânforas de barro da Adega José de Sousa. Depois de 12 meses de estágio em barrica e mais 18 meses em cave, chega ao mercado este vinho de edição muito limitada (menos de 2000 garrafas), já habituado em figurar por entre os melhores da região.

8 – Esporão Private Selection 2009

A Herdade do Esporão é um dos gigantes da produção vitivinícola em Portugal e estando radicada no Alentejo não é de estranhar encontrarmos um dos seus topos de gama numa selecção onde figura a excelência da região. Este Private Selection é um vinho que nasceu em 1987 com o objectivo de dar continuidade aos Garrafeira da casa e que, na altura, era produzido a partir das melhores barricas destinadas ao Esporão Reserva. Com o tempo e com a dimensão que o vinho atingiu, tanto no portefólio do produtor, como na qualidade de um vinho de excepção, passou a ser produzido a partir da selecção das melhores uvas que a propriedade produz em cada colheita. Com um estilo menos “clássico” que outros pares deste top ten, o Private Selection 2009 não foi esquecido pelos participantes deste painel e é também um protagonista de luxo para esta lista.

9 – Julio Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007

Quem diria que Julio Bastos seria o único produtor a incluir dois vinhos nesta lista. A verdade é que foram muitas as pessoas que indicaram vinhos deste produtor e dois deles entraram directos para este top ten, o que demonstra bem a alta cotação dos seus vinhos. Este monocasta de Alicante Bouschet é um vinho raro, com que o produtor homeanageia o seu pai Julio Bandeira Bastos, produzido a partir de vinhas velhas que chegaram ao Alentejo pelas mãos dos seus antepassados. Fermentado em lagares de mármore e estagiado durante 14 meses em barricas novas de carvalho francês, é um vinho de terroir, do melhor que a natureza alentejana tem para oferecer.

10 – Monte da Penha Grande Reserva 2005

Para finalizar a lista um vinho que não anda habitualmente pela primeira linha mediática dos grande tintos do Alentejo mas que os convidados que ajudaram a elaborar esta lista fizeram questão de o trazer à ribalta. A Serra de São Mamede colocou vários vinhos neste top ten e continua a afirmar-se como um dos mais aptos terroirs em Portugal para produzir grandes vinhos. O Monte da Penha surge pela mão de Francisco Fino, que depois de ter estado ligado ao sucesso da mítica Tapada do Chaves, gere agora, juntamente com a sua família, este projecto de profunda alma alentejana. Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira, com estágio em barrica durante 12 meses, seguido de um longo estágio em garrafa. A altitude das vinhas confere-lhe uma frescura e equilíbrio notáveis, para um topo de gama que fecha com chave de ouro esta lista dos melhores tintos do Alentejo.

Resta-me agradecer a simpatia de todos, que aceitaram com as suas escolhas, ajudar-me neste exercício. Espero, acima de tudo, que esta lista possa contribuir para mais pessoas descobrirem a excelência dos grandes tintos do Alentejo. Muito obrigado a:

José Eduardo – Cortes de Cima
Ema Martins – Magnacasta
Nuno Monteiro – Magnacasta
Nuno Anjos – Flashgourmet
Daniel Matos – Adegga
Abílio Neto – Enófilo
Nuno Duarte – Enólogo
Sofia Soares Franco – José Maria da Fonseca
Ana Sofia de Oliveira – The Wine Agency
Diogo Albino – Torre do Frade
André Peres – Wine & Lifestyle Report
Rita Monte – Empor Spirits
Rodolfo Tristão – Associação Escanções de Portugal
João Pedro Carvalho – Copo de 3

Nota: Para os mais curiosos, uma pequena nota que ajuda a perceber como foi elaborada esta lista. Cada pessoa era convidada a escolher três vinhos da sua preferência, tendo como referência os grandes tintos da região. As pessoas que estão ligadas a empresas produtoras, se assim o entendessem, poderiam votar num dos seus próprios vinhos. 

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