Os Vinhos da Masterclass em Cabriz

O prometido é devido. Rápido apontamento sobre os vinhos da Masterclass na Quinta de Cabriz no evento Dão Winelover. Em prova estiveram muitas das referências que a Dão Sul tem no mercado, bem como um conjunto de vinhos velhos que fizeram as delícias dos presentes. Para não enfadar, fiz uma pequena selecção, dos que foram os meus preferidos.

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Cabriz Encruzado Branco 2005
É reconhecida a capacidade de envelhecimento deste branco da casta Encruzado, um vinho que chega ao mercado na ordem dos 6€ e é, ano após ano, uma compra segura, com uma relação qualidade-preço de fazer inveja. Este 2005 só veio confirmar tudo isto, numa forma belíssima, de cor dourada e nariz evoluído, com notas torradas e de passas maduras, numa boca fina e equilibrada, com uma acidez que ainda segura muito bem o conjunto. Não é vinho para o consumidor comum, mas para quem aprecia o estilo está aqui um belo branco (16).

Condessa de Santar Branco 2011
Um vinho que homenageia a Condessa da majestosa Casa de Santar tinha de estar à altura das responsabilidades. Foi o branco que mais me marcou de todos os que estavam em prova. Encruzado e Cerceal, provenientes das renovadas vinhas da propriedade, um vinho nobre e distinto, sério e austero no nariz, com a discreta barrica adornada por umas elegantes notas minerais. A boca mostra uma generosa acidez, que equilibra todo o conjunto, apesar de haver bastante corpo e fruta madura, está proporcionado e cheio de nervo, muito fino e persistente, um branco muito bem esgalhado, que, perdoem-me a ousadia, coloco entre o restrito grupo dos melhores que são produzidos em Portugal. Não se apressem a consumi-lo, há aqui vinho para alguns anos e as discretas notas de frutos secos e resina, começam a levantar o véu de como irá ser o risonho futuro (17,5).

Conde de Santar Tinto 2009
Não se pode dizer que esta prova em Cabriz tenha sido dominada pela nobreza, mas que esta marcou bem a sua presença é inquestionável. Outro grande vinho, este do Sr. Conde, bravo e destemido como se impõe a um corajoso cavaleiro. Produzido a partir de um lote de Alfrocheiro, Tinto Cão, Touriga Nacional e Tinta Roriz, estagiou durante 12 meses em barrica e apesar de ser normalmente ofuscado pelos seus irmãos, Four C e Paço dos Cunhas, merece, pelo menos este 2009, estar em semelhante patamar. Rico e concentrado, com a madeira bem integrada num fundo floral e vegetal. Complexo e distinto. Volumoso mas fresco. Muita acidez, taninos finíssimos, gulosa doçura frutada num final muito longo e persistente. São vinhos como este, e felizmente o Dão tem alguns, que podem levar o nome da região mais além. À mesa será sempre uma boa companhia para nobres peças de caça (18).

Four C Tinto 2009
Outro peso pesado da Dão Sul, este também a mostrar uma grande forma. No lote, idêntico ao anterior, a Baga substitui o Alfrocheiro, num vinho que tem estágio em barrica durante 12 meses e do qual foram cheias 5000 garrafas. Concentrado e austero. Fruta preta e barrica, num par de leve doçura. Pujante e robusto. Fresco e muito longo. Outro vinho portentoso, que apesar da elegância, pareceu (-me) piscar o olho a um estilo mais moderno, menos fresco que o anterior. Ainda assim um dos grandes momentos do dia (17,5).

Casa de Santar Colheita Tinto 1983
Para terminar, um vinho velho. Dos três (’65, ’75 e ’83) Casa de Santar de colheitas antigas presentes na prova foi este o meu preferido.  A seriedade de um vinho com 30 anos. Cor ainda de boa concentração, límpido, seco, clássico, de uma intensa delicadeza, notas de café e um travo terroso que fazia lembrar a Baga (andaria pelo lote?). Um vinho capaz de trazer novos adeptos aos tintos velhos. Respect (16).

Outros houve, que apesar de não terem entrado na selecção, mostraram todo o vigor do portefólio deste produtor. Os Touriga Nacional da Casa de Santar, o Vinha do Contador Branco, ou os mais recentes Maria João, branco e tinto, são vinhos de excelente qualidade que merecem muito ser conhecidos. No essencial, foi um desfile de grandes vinhos do Dão, que os sortudos presentes tiveram oportunidade de provar e beber.

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