Peixe em Lisboa 2016 (Lisboa)

Abril continua a ser um mês de felicidade e romaria para todos os aficcionados de bem dar ao dente. O festival gastronómico Peixe em Lisboa continua a trazer ao Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, alguns dos melhores restaurantes da cena “gastronómica” portuguesa e a reunir grandes nomes da cozinha mundial, que durante os dez dias do evento mostram ao publico português a sua arte através das apresentações no Auditório preparado para o efeito, bem no centro da Praça do Comércio. O Carapau foi o produto em destaque nesta 9ª edição.

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Este ano a estrela da companhia foi Elena Arzak, filha e sucessora de Juan Maria Arzak, que em San Sebastian, Espanha, tem o seu restaurante Arzak abrilhantado com três estrelas no guia Michelin. Da cena internacional vieram também Pino Cuttaia e Diego Gallegos, o primeiro com duas estrelas no Michelin no restaurante La Madia, Sicília, Itália e o segundo, recém estrelado, no Sollo, em Málaga, Espanha. Ainda lá de fora veio o “nosso” Nuno Mendes que continua com os seus projectos Chiltern Firehouse e Taberna do Mercado, em Londres. Rui Silvestre (Bon Bon), Henrique Sá Pessoa (Alma), Alexandre Silva (Loco), Tiago Feio (Leopold) e Tomoaki Kanazawa (Kanazawa), foram os nomes “internos” que completaram um cartaz verdadeiramente de luxo. Este ano, por compromissos diversos, estive afastado das apresentações no auditório mas pelo que fui lendo aqui e ali deu para perceber que foi um ano de grandes apresentações.

Mas apesar de serem as maiores atracções do evento, nem só de Chefs vive o Peixe em Lisboa. As aulas de cozinha, as tertúlias e demonstrações gastronómicas, o Mercado Gourmet (com cerca de 60 expositores), as Conversas Sobre Vinho, os Jovens Talentos da Gastronomia, os concursos “O Melhor Pastel de Nata” e “ADN Pasteleiro”, são outros dos pontos de interesse do festival. Nesta edição, as principais novidades foram as “Noites do Peixe”, que prolongaram o horário do festival aos fins-de-semana até às 02:00, com actuação de um DJ e a “Noite do Fado” onde era possível ouvir a canção tradicional lisboeta ao vivo.

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E claro, os 10 Restaurantes que trouxeram ao Pátio da Galé uma amostra das suas cozinhas e que foram deliciando os muitos visitantes ao longo do evento. Fiz várias passagens pelo festival para provar os muitos pratos disponíveis, sempre ao almoço e durante a semana (período que me pareceu ter tido menos público que o ano anterior), e deixo em imagens algumas das propostas que tive o prazer de manducar. Pessoalmente, o momento mais alto do festival ainda continua a ser este, o de rever amigos à mesa do Peixe em Lisboa em torno das propostas gastronómicas dos restaurantes.

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Uma viagem que começa com as Gambas do Algarve em Ceviche que chegam diretamente da carta do Mini Bar de José Avillez para as mesas do Peixe em Lisboa. Um prato maravilhoso e bonito, que já é um clássico do festival, com a gamba numa textura sublime, envolvida por todos os sabores característicos do ceviche e espevitada pelo crocante do milho frito. Este ano as propostas de alguns restaurantes foram muito semelhantes às do ano passado o que para um visitante habitual que vá à procura de novidades acaba por não ser tão entusiasmante.

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Ainda pela mão de José Avillez, o Prego de Atum.

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Uma das estreias deste ano foi a de Bertílio Gomes com Chapitô à Mesa e a carta que trouxeram para o festival era muito sugestiva. Alguns produtos pouco comuns em preparações que deixavam os mais aventureiros com muita curiosidade. Um desses exemplos é este Berbigão com Testículos de Galo e Creme de Batata Doce, um título muito sugestivo para um prato interessante mas que para o meu gosto pessoal necessitava de algo que espevitasse os sabores muito planos da preparação, algo que o sal não conseguia na plenitude.

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Outro exemplo, este melhor conseguido em termos de sabor, era a Cavala com Geleia de Mirim, Pepino e Pêra Abacate. Apesar do empratamento não ter sido o melhor, este era um prato cheio de sabor, numa conjugação perfeita entre o peixe e o travo mais intenso da geleia. O abacate e o pepino, na companhia da cebola traziam o equilíbrio necessário a uma preparação que gostei particularmente.

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Ainda do Bertílio Gomes, as Caras de Bacalhau com Molho Fricassé, outro prato arrojado, que ao bonito empratamento podia ter aliado um sabor mais afirmativo por parte do molho. Ainda assim parabéns pela coragem de trazer pratos verdadeiramente diferentes ao festival, numa lufada de ar fresco que ajudou a quebrar a rotina dos tártaros, ceviches e afins.

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Ora aqui está algo verdadeiramente muito bom e que teria lugar nas posições cimeiras de qualquer top que fosse feito com os melhores pratos do Peixe em Lisboa desta edição. As Chamuças de Peixe do IBO – outro estreante no festival – estavam absolutamente divinais e tornaram muito difícil o desafio de não ficar ali a repetir doses até encher a barriga. A delicadeza da massa, o conforto do húmido e saboroso recheio e a boa combinação com o chutney de banana-maçã fizeram desta uma iguaria memorável.

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Também do IBO, o Xerém de Ameijoas com Rolinhos de Linguado, outro prato muito bem conseguido por este restaurante da baixa ribeirinha. O peixe estava no ponto e o vinagrete que o acompanha é a verdadeira alma do conjunto.

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O Ribamar já é um habituée do Peixe em Lisboa e tem pratos que também já se tornaram clássicos do festival, sempre de preparações simples com ênfase no produto. O Fígado de Tamboril fumado com Geleia de Tangerina não é um prato para palatos sensíveis mas quem é apreciador tem a viagem ao céu garantida.

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Outro dos momentos de grande gulodice do festival, com direito a chupar os dedos e tudo, é o Caranguejo Frito com Creme de Abacate e Lima, também do Ribamar. Que maravilha.

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O Ritz Four Seasons Hotel Lisboa foi outra estreia na edição do Peixe em Lisboa e trouxe no seu portefólio um prato que foi dos melhores que comi nestes últimos tempos. Tártaro de Dourada, Espuma de Maracujá, Crocante de Xerez, Pimenta d’Espellete e Laranja Cara Cara, numa preparação que mostra que a clássica cozinha francesa quando salpicada por alguma irreverência também pode ser muito entusiasmante. Muito bom.

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Também do Ritz, o Salmão Mi-cuit, Mostarda Agridoce e Lima com Crocante de Legumes Biológicos. Interessante a combinação do peixe com o travo terroso dos rebentos de soja. Bom, mas sem deslumbrar.

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O conforto da Cavala com Puré de Feijoca pela mão de André Magalhães da Taberna da Rua das Flores. Outra presença habitual no Peixe em Lisboa.

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Da oferta do Arola, que partilhou o restaurante do Penha Longa Resort com o Midori, sairam estes Raviolis de Pepino com Camarão Fumado e Caviar de Arenque. Um prato muito bom, com um ligeiro travo picante, num conjunto muito equilibrado. 

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Entrando no capítulo das sobremesas, sobre a Avelã 3 (ao cubo) do José Avillez não há muito mais a acrescentar. Pura gula.

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Do Arola, Bola de Berlim com Gelado de Bola de Berlim. Guloso de bom, mas ainda assim sem deslumbrar.

O Mil Folhas de Framboesa do Ritz no Peixe em Lisboa.

O prémio para a melhor sobremesa do evento foi mesmo para este Mil-folhas de Framboesa do Ritz Four Seasons. Puro rock n roll pela mão de Fabien Nguyen. Delicadeza, precisão, sabor. Muito bom.

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Também do Ritz, o Ritzamisu, que tem um aspecto maravilhoso mas merecia mais sabor a café.

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O Melhor Pastel de Nata este ano foi para Benfica, para a Pastelaria Fim de Século (no Largo do Mercado de Benfica). O júri, composto pelo gastrónomo Virgílio Nogueiro Gomes, o enólogo Domingos Soares Franco, o chefe pasteleiro António Marques, a jornalista Alexandra Prado Coelho e o chefe de cozinha Pedro Sommer Ribeiro, teve em conta diversos factores na sua avaliação e elegeu aquele que será durante um ano o “embaixador” deste ícone da nossa doçaria.

Conservas Good Boy

Depois da refeição, também é tradição uma passeata pelo Mercado Gourmet. A Conserveira do Sul é uma presença que já começa a ser habitual nas bancas do Peixe em Lisboa. Este ano trouxeram a mais recente linha de conservas Good Boy, que já teve o devido destaque aqui.

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O vinho, e em particular o de Lisboa, é outra presença assídua no festival. Na imagem o line-up que a Adega Mãe trouxe ao evento.

Finda a 9ª edição, que a organização deu a saber ter sido um sucesso, com o aumento de visitantes estrangeiros (que já são 1/4 dos visitantes totais) e do crescente numero de público que tem interesse pelas apresentações dos Chefs ao vivo no auditório, o Turismo de Lisboa já anunciou o período de 30 de Março a 9 de Abril de 2017 como as datas para a 10ª edição do Peixe em Lisboa. Até para o ano.

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