Porto Poças 1918

A Poças, provavelmente a mais portuguesa das casas de Porto, continua a celebrar em grande estilo o seu centenário. Tem sido um ano muito preenchido para esta empresa duriense, que acaba de entrar no restrito campeonato dos Portos muito velhos com a edição do Porto Poças 1918, um vinho único e raro, obviamente extraordinário, com a aura de exclusividade dos grandes vinhos.

A apresentação teve lugar no restaurante lisboeta Estórias na Casa da Comida e contou com a presença de Pedro Pintão, director de marketing e comunicação, Jorge Pintão, director de enologia, André Barbosa, também da equipa de enologia e, Maria Poças Maia, responsável pela viticultura.

Antes da apresentação do tão aguardado Porto Poças 1918 houve lugar a uma prova de vinhos de alguns dos mais recentes lançamentos da empresa:

Outra das grande novidades do ano de celebração do seu centenário é o lançamento do Poças Branco da Ribeira 2017, um branco topo de gama, produzido a partir de um lote de Arinto (70%) e Códega de Larinho, de uvas provenientes da mais fresca das três quintas da Poças, a Quinta de Vale de Cavalos, situada em Numão, no Douro Superior. São uvas que estão numa zona muito fresca a uma altitude de 500 metros, que após uma leve prensagem fermentou em barricas novas de carvalho e que resulta num branco rico e untuoso, marcado pelo estágio de barrica e pela frescura concedida pelo Arinto, num conjunto de final longo e muito persistente. Uma estreia prometedora deste novo vinho do Douro, para acompanhar durante os próximos anos (pvp 45€).

Outro vinho em prova foi o Símbolo, o topo de gama tinto da casa que vai agora, com a colheita de 2015, na sua segunda edição. Vinhas velhas da Quinta de Santa Bárbara, estagiou durante 18 meses em barricas novas de carvalho, acrescido de um estágio de 12 meses em garrafa. Aromático, fruta preta madura, compotas, especiarias e barrica sem beliscar, mostra uma boca com um bom compromisso entre potência e elegância. É concentrado mas sem exageros, de taninos vivos a denunciar alguma juventude e um final fresco e persistente, a apontar para uma boa evolução em garrafa (pvp 40€). Provou-se também o Poças Reserva Tinto 2016, com base em vinhas velhas e completado por alguma Touriga Nacional, teve estagio de 12 meses em barricas de carvalho. Mostrou bom equilibrio entre concentração e frescura, ainda jovem, com os taninos bem vivos, num perfil sumarento e de bom comprimento (pvp 16€).

A entrada nos Portos fez-se com o Poças 10 Years Old White, expressivo, fresco e equilibrado, feito a partir de um lote de Códega de Larinho, Rabigato, Viosinho e Malvasia Fina (pvp 22€). Seguiu pelo Poças LBV 2013, concentrado, fechado e persistente, a mostrar boa capacidade de guarda (pvp 15€). E terminou no Poças Colheita 2008, dos três o meu favorito, a mostrar que a tradição dos Tawny colheita na Poças está bem viva e recomenda-se. Muito equilibrado entre doçura e acidez, de boa proporção, rico, com elegancia mas sem comprometer a presença (pvp 19€).

E chegava-se ao momento mais aguardado da sessão, o novo Porto Muito Velho da Poças. Um vinho que a empresa quer que represente não só uma celebração ao seu centenário mas também uma homenagem ao Douro, que continua a possibilitar a revelação destes tesouros. A história deste vinho começa nos anos trinta do século passado, quando o fundador Manuel Domingues Poças Junior recebeu a Quinta das Quartas como pagamento de uma dívida. No espólio dessa quinta vinham um conjunto de lotes de Vinho do Porto que têm hoje entre os 90 e os 100 anos. Foi a partir de um desses vinhos que nasceu o exclusivo Porto Poças 1918. Apenas 100 unidades, apresentadas em garrafa exclusiva produzida pela Vista Alegre. Concentrado na cor, com um ligeiro rebordo esverdeado, como era de esperar é um vinho de grande complexidade e requinte. Com muitos aromas terciários (especiarias, frutos secos, tabaco), tem uma boca admirável, de grande proporção, intensa mas equilibrada, perfeito na acidez, com um ligeiro vinagrinho no final longo e interminável. Um vinho extraordinário, um momento memorável, pois não são todos os dias que se bebe um vinho com 100 anos (pvp 3500€).

A apresentação seguiu à mesa, onde o Porto Poças 1918 continuou a brilhar.

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