Prova dos 7 no Joe Best

#provados7 do último mês levou-me a um ansiado reencontro. A anfitriã Ema Martins teve a feliz ideia de levar a nossa prova mensal ao Supperclub Dacozinha do Chef Joe Best. O tema lançado pela Ema era BBB (Baga – Bical – Bairrada) e ao José coube o desafio de apresentar um menu para acompanhar isto tudo.

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Foie

Lembro-me de, há uns anos, durante um dos jantares que fiz em sua casa, o Joe (José Besteiro para os amigos) aproveitar um momento de calmaria na cozinha para me contar os seus projectos. Estava desempregado – depois de ter mandado às urtigas um projecto numa grande empresa portuguesa – mas não resignado, tinha a cabeça a fervilhar, sentia que os portugueses começavam a mostrar uma grande apetência pelo mundo da gastronomia e dos vinhos e isso abria-lhe um conjunto de possibilidades profissionais.

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Mexilhão com Ovas e Algas. O mar à mesa. A harmonizar na perfeição com o Nossa Calcário 2011, o meu vinho preferido da prova.

Estávamos no início de 2011 e apesar de não ter sido assim há tanto tempo, não deixava de ser uma ideia meio louca querer implementar um Supperclub em Sintra, ou um conceito de “Chef em sua casa” (sem ser um chef mediático com programa de tv), ou ainda um conjunto de outros serviços cada um mais arrojado que o outro, tudo isto sustentado pela forte presença que detinha nas redes sociais. Lembro-me de na altura não ter achado a ideia assim tão disparatada e de lhe ter dito que fazia todo o sentido um projecto do género, se não fosse ele, mais cedo ou mais tarde seria outro.

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Lombo de Atum braseado com Pipocas de Leitão e redução de Polpa de Manga.

A verdade é que o José, com muita perseverança e trabalho depois, impôs a sua marca e o seu projecto e hoje penso que não exagero se disser que faz parte do grupo dos chefs mais mediáticos do nosso país. A forte presença que tem nas redes sociais sempre foi uma imagem de marca e isso permitiu-lhe divulgar o seu trabalho a um grande numero de pessoas. As aparições em programas de televisão e a requisição para jantares de figuras públicas foram um passo natural que atestam o sucesso do seu projecto.

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Risotto de Algas Frescas e Alforrecas com Grana Padano envelhecido. Um prato desconcertante… de bom.

Obviamente que toda esta actividade tornou a sua agenda cada vez mais inacessível, mas felizmente que a Ema desta vez tratou das coisas a tempo e pude ter o prazer de voltar ao contacto com a sua cozinha. Uma cozinha onde a saudável loucura do José continua bem expressa e que nos permite através de uma única refeição viajar por vários estilos e inspirações.

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Espuma de Arroz Doce, Abade Priscos e Suspiro com Frutos Vermelhos. Penso que não é necessário acrescentar mais nada.

Para este jantar preparou-nos um menu de 9 pratos que expressou bem o que disse no parágrafo anterior. Um menu que nos desafiava os sentidos a cada momento, intercalando pratos mais consensuais com outros que nos arrancavam da cadeira da zona de conforto. A chanfana de vitela, o foie gras, os mexilhões com algas, o tártaro de vitela, traziam a calmaria para a tempestade que chegaria com o risotto de algas com alforreca, o atum com pipocas de leitão, ou o ovo a 63 graus com ravioli de cogumelos, puré de rábano e trufas. Um festim para os sentidos.

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O podium final.

Em cada Prova dos 7 há um anfitrião responsável por escolher o tema e o local da prova. Mas este ritual da prova (cega e com os vinhos classificados) é só uma boa desculpa para um grupo de amigos que tem o vinho como paixão se juntar e partilhar bons vinhos das suas garrafeiras, ao mesmo tempo que se vão conhecendo lugares onde se serve boa comida. Desta vez apareceram dois brancos de Bical que tomaram conta das operações. O Bágeiras Garrafeira 2004, que bateu por milímetros o Nossa Calcário 2011, foi o preferido, mas ambos mostraram estar numa forma extraordinária. Nos tintos, o Vadio 2005 bateu toda a concorrência e mostrou mais uma vez que a qualidade nem sempre é consentânea com o preço que pagamos por um vinho. Era dos mais baratos em prova e mostrou ser um gigante. Destaque também para um intruso, o Barolo 2006 da Antiche Cantine Marchesi di Barolo, que às cegas ninguém deu por ele e que se revelou também ele um grande vinho. De resto, como a fotografia atesta, todos os restantes eram excelentes vinhos, que deram imenso prazer a provar e a beber.

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Todos os cozinheiros são loucos, certo?

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