Prova Especial – 12 Brancos Portugueses

Decorreu durante este fim-de-semana mais uma edição do Encontro com o Vinho e Sabores, que aconteceu como habitualmente, no Centro de Congressos de Lisboa.
Dirigido para o grande público, este evento organizado pela Revista de Vinhos já se tornou a grande festa do vinho em Portugal, onde se reúnem durante 4 dias milhares de pessoas para provar alguns dos melhores vinhos e sabores produzidos no nosso país.

Além da feira em si, onde se encontram para prova um incrível numero de referências, sucede-se um conjunto de actividades paralelas onde pontificam as muito aguardadas provas especiais. Estas são sempre muito procuradas pelos apreciadores, onde têm a oportunidade, em condições privilegiadas, conduzidas por especialistas e fora da azáfama da feira, de provar e conhecer a história de vinhos excepcionais. Sobre o evento na generalidade não me vou alongar muito, conto fazê-lo a seu tempo, para hoje interessa apenas a prova especial 12 Brancos Portugueses – A Minha Escolha, que decorreu durante o fim-de-semana e tive o prazer de participar.

20161112_174544

A mesma foi conduzida pelo jornalista e crítico de vinhos João Paulo Martins, que seleccionou para o efeito um conjunto de doze dos seus vinhos brancos portugueses favoritos, tendo o cuidado, conforme explicou, que pudessem não só mostrar a excelência actual dos vinhos brancos produzidos em Portugal, mas também a sua diversidade de estilos. Segundo o próprio, não foi por serem caros ou famosos, antes vinhos do seu gosto pessoal que tivessem algo para contar. Sabendo que a pessoa em questão anda nisto há largos anos e já provou um infindável numero de vinhos, não deixou de ser curioso conhecer a razão das suas escolhas.

Os 12 escolhidos: Niepoort VV 2013, Campolargo 2014, CAV 2013, Paço dos Cunhas de Santar 2013, Mirabilis 2014, Mapa Vinha dos Pais 2014, Muxagat Xistos Altos 2013, Procura 2014, Equinócio 2013, Malhadinha 2015, Madrigal 2013 e Quinta Poço do Lobo 1995.

20161112_181618

Como em qualquer escolha pessoal, existe sempre um elevado grau de subjectividade, e assim como no futebol, também no vinho todos somos treinadores de bancada. Os meus doze seriam outros, e se perguntarmos a 10 pessoas diferentes, os seus seriam com certeza outros, mas acima de tudo isso parece-me inquestionável a excelência deste conjunto de vinhos. Mesmo dando por falta de pelo menos uma referência da região dos Verdes, pessoalmente fui surpreendido por alguns vinhos que nunca tinha provado e outros que andava arredado há algum tempo.

O Mapa, o CAV e o Malhadinha, foram as três referências que nunca tinha provado. Excelente o primeiro, um dos meus favoritos. Surpreendente o segundo, um vinho do Dão que não conhecia, produzido com vinhas velhas e sem estágio em barrica, muito limpo e focado, com acidez e mineralidade a marcarem a prova. E um bom exemplar do Alentejo, o terceiro, para gostos mais modernos.

20161112_181640

Surpreendente, para mim, foi também o Madrigal, um vinho que já não provava há bastante tempo e que me pareceu num estilo mais afinado, sem o peso do passado, num conjunto muito preciso e elegante. Gordo, estruturado, mas nada pesado, com um estilo harmonioso e de grande classe. Este 2013 atravessa um grande momento.

Muito bem também o Paço dos Cunhas, o Niepoort (ainda a mostrar muita juventude), o Muxagat e o Procura, cada um no seu estilo, mas todos em bom plano. O Mirabilis, num estilo diferente, mais fino e atractivo, num estilo que também parece vir sendo afinado de colheita para colheita.

20161112_181647

Os favoritos. Ao já referido Madrigal, juntam-se o Campolargo, o Mapa e o Equinócio, quatro vinhos diferentes, mas que têm em comum neste momento atravessarem um grande momento. Grande classe do Campolargo, impressionante (talvez por ter sido uma novidade) o Mapa e, provavelmente se tivesse de escolher apenas um, o meu vinho favorito da prova, o Equinócio. Um vinho produzido pelo crítico da Revista de Vinhos, João Afonso, em Portalegre, a partir de vinhas velhas com muitas castas misturadas, onde constam também algumas espécies de uva de mesa. Um branco à antiga, rústico mas belo, com uma autenticidade emocionante.

O Poço do Lobo Arinto de 1995, ficou propositadamente fora desta equação. Um vinho que vinte anos depois chega ao nosso copo com esta classe, bem vivo, cheio de frescura e mineralidade, um vinho extraordinário. O Arinto, sem estágio em barrica, a expressar-se em toda a sua plenitude.

3 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *