Quinta da Alameda de Santar no Sommelier Lisboa

Luís Abrantes é um empresário português de sucesso na área do mobiliário, que decidiu alargar os seus investimentos ao sector do vinho. Com a sua empresa, Movecho, sediada em Nelas, a região do Dão era obviamente o local ideal para esta nova aventura. O enólogo Carlos Lucas, seu amigo de longa data, surgiu naturalmente como o parceiro ideal para este projecto e assim estavam criadas as condições para o renascer da Quinta da Alameda.

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Santar é uma vila histórica do património vitivinícola da região do Dão e a Quinta da Alameda é uma das suas propriedades mais conhecidas. Localizada num dos pontos mais altos da vila, virada ao rio Dão, desde os anos 50 que produz vinho, apesar de só em finais dos anos 90 ter tido início o engarrafamento em nome próprio. Luís Abrantes e Carlos Lucas ao terem conhecimento que a propriedade se encontrava à venda, não hesitaram.

Em 2012, com o início deste novo projecto, a Quinta da Alameda sofreu uma intervenção de reabilitação do património edificado e uma reestruturação profunda na vinha existente, criando-se assim as condições, segundo os próprios, para produzirem os vinhos com que sempre sonharam. A mancha de vinha perfaz 15 hectares, onde parte da vinha velha existente foi cuidadosamente preservada, juntando-se a ela um conjunto de castas tradicionais da região. A viticultura está a cargo de Amândio Cruz. Carlos Lucas diz acreditar que o potencial da propriedade vai dar origem a vinhos distintos e de excelência. O projecto é assumidamente ambicioso e o objectivo é claro, produzir vinhos de grande qualidade e implementar a marca como uma referência da região.

Agora, em 2015, chegou a hora de conhecermos os primeiros vinhos desta nova vida da Quinta da Alameda. O local escolhido foi o novo Restaurante Sommelier Lisboa, que abriu há semanas na Rua do Telhal, bem próximo da badalada Avenida da Liberdade.

A apresentação teve o formato de almoço vínico, com os vinhos a serem acompanhados pelos pratos preparados pelo Chef Ricardo Sousa.

O primeiro vinho do almoço veio de fora da Quinta da Alameda (que de momento só tem tintos). O Ribeiro Santo Encruzado 2014 mostrou a tosta da barrica bem enquadrada na fruta branca e citrinos. Alguns frutos secos. Fundo mineral  a trazer frescura a uma boca encorpada e untuosa. Harmonizou, bem, com o tártaro de salmão com guacamole.

Depois, chegaram os croquetes de rabo de boi com cous cous e o Quinta da Alameda Jaen 2013. Carlos Lucas não é assumidamente um fan de Jaen mas não resistiu às parcelas desta casta que foi encontrar nas vinhas da Quinta da Alameda. Uma vinha que foi plantada em 2007 com clones, já com provas dadas noutras ocasiões, recomendados pelo Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão. Foi paixão à primeira vista. Ao ponto de ter sido a casta eleita para o primeiro de vários monovarietais que irão ser lançados. Apenas 3000 garrafas, ao preço de 25€, de um vinho que estagiou durante 9 meses em barricas usadas de carvalho francês. Leve na cor. Aromático. Fruta vermelha envolvida pelos fumados da barrica. Terroso, vegetal, fresco. Alguma doçura de fruta na entrada de boca, balanceada por boa acidez. Final longo e de boa persistência. Um vinho sofisticado, com taninos de seda, que mostrou ainda alguma juventude.

O prato seguinte foi um bife de carne maturada durante 28 dias, de sabor intenso, que colocou à prova o Quinta da Alameda Reserva Especial 2012. Um vinho produzido a partir das vinhas velhas da propriedade, com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão e Baga, que teve estágio em barricas novas de carvalho francês durante 12 meses, tendo depois igual período de estágio em garrafa. O preço mantém-se nos 25€. Mais intenso na cor que o anterior. Nariz de boa complexidade, intenso e rico, com a fruta preta silvestre bem conjugada com a tosta da madeira e com subtis notas florais e vegetais. Na boca entra delicado e macio, com uma estrutura de taninos finos e uma acidez muito bem integrada a dar alma ao conjunto. Final longo e persistente. Um vinho que casa bem o lado clássico e moderno, com uma fruta madura e gulosa, mas sem perder a elegância e a frescura do Dão.

Para a sobremesa, a acompanhar o bolo de bolacha com frutos secos, chegou o Ribeiro Santo Blanc de Noirs. Um espumante bruto, elaborado através do método clássico com as castas Touriga Nacional e Tinta Pinheira, que teve estágio em garrafa durante 18 meses antes do dégorgement. Aroma dominado pelas notas frutadas, com frutos secos e citrinos. Elegante na boca. Fino, de espuma elegante, com travo frutado, num final guloso e sofisticado. Bom para acompanhar sobremesas pouco doces, como foi o caso. Custa cerca de 13€.

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Palavra final para o espaço que acolheu esta apresentação, o novo restaurante Sommelier Lisboa. Um projecto de Mário Teixeira e Evegeny Boldyrev, este último um russo apaixonado por vinhos que se mudou com a sua esposa para Portugal e levou a cabo uma prospecção pelos melhores vinhos portugueses já com este propósito na ideia.

Trata-se de um espaço elegante, cosmopolita, que tem no serviço de vinho a sua maior aposta. O mural de enomatics que decora o fundo da sala de refeições não engana e deixa desde logo a indicação que por aqui se trata muito bem o vinho. Só a copo o cliente encontra uma oferta de mais de 80 referências. Um paraíso para os winelovers.

A cozinha está a cargo do Chef Ricardo Sousa, que preparou uma carta de inspiração contemporânea, que não esqueceu os peixes e as carnes mas apostou também em saladas e pratos mais sofisticados. Além da carta existe um menu degustação de 7 pratos apelidado de “Aventura degustativa” (50€), que pode ser acompanhado por 3 packs de vinhos à escolha, Classic Wine Experience (35€), Premium Wine Experience (45€) e Deluxe Wine Experience (75€).

Outra novidade neste espaço é o terraço para 30 pessoas e o projecto contempla ainda um wine-bar (já em construção) e um pequeno hotel de charme, com cerca de 8 camas, onde cada quarto terá um produtor de vinho associado.

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