RAUL PEREZ LA VIZCAINA “VITORIANA” 2013

Há uns tempos atrás, dois amigos sommeliers que estavam a estudar para um exame no Court of Master Sommeliers desfiaram-me, a mim e a mais uns tantos, a fazermos umas provas cegas de vinhos estrangeiros para dessa forma poderem aprofundar os seus conhecimentos. Aquilo foi como música para os meus ouvidos e, além do prazer que estas provas me dão, pareceu-me a ocasião ideal para também eu poder aprofundar os meus conhecimentos sobre vinhos estrangeiros.

A verdade é que eles já fizeram o exame há muito mas o bichinho ficou e continuamos a encontrar-nos para estas sessões onde se provam umas pingas com sotaques de outras paragens.

Desta vez foram seis vinhos, todos de regiões diferentes, dois franceses, dois italianos, um austríaco e um espanhol.

O primeiro foi um italiano do Veneto, o Anselmi Capitel Croce 2014, um monocasta de Garganega que, dos brancos, foi o que gostei menos. De aroma floral e frutado, mostrou boa frescura mas sempre num registo onde a fruta estava por cima do resto. Talvez tenha sido bebido cedo demais, fica a dúvida.

Seguiu-se o Eruzione 1614 Planeta 2012, o vinho do vulcão. Carricante em solos de lava. O primeiro impacto aromático, com as notas apetroladas a dominarem o nariz, levou-me para um riesling ou até para um alvarinho/albarino com mais evolução, mas com o tempo no copo essas notas foram-se atenuando e fui levado definitivamente para outras paragens. Muito fresco e mineral, com uma acidez fina e longa, é um vinho apaixonante que vai continuar a evoluir bem em garrafa. Gostei. Ah e tem 10% de Riesling.

De seguida mais dois brancos, o bio-dinamico Loimer Loiserberg Gruner Veltliner 2014 da região austríaca de Kamptal, mais propriamente de Langenlois, com fruta branca e especiarias, pimentas exóticas, seco, fino e equilibrado, um belo gruner que dá imenso prazer a beber. E o Givry 1er Cru Clos de la Servoisine de 2009, um Borgonha fora da caixa do Domaine Joblot, de perfil oxidado, com fruta madura e aquela rusticidade característica dos vinhos com pouca intervenção. O vinho tem bastante volume, a boca remete-nos para a casta (perceptível mesmo às cegas), o estilo é que nos deixa baralhados. Está longe daquele elegância esmagadora dos grandes brancos da Borgonha mas gostei muito. Muito diferente, entusiasmante e ainda cheio de vida.

Finalizando com os tintos, já na companhia de umas bochechas estufadas, provámos primeiro aquele que foi o vinho da noite, o La Vizcaina Vitoriana 2013 produzido por Raul Perez no Bierzo. A Mencia em todo o seu esplendor. Tremedamente leve e fresco, um equilibrio notavel entre fruta, tanino e acidez, um deleite para os sentidos numa bonita expressão da casta. Que grande vinho. Para terminar, a maior desilusão da sessão, o Chateauneuf du Pape de Jean Michel Cazes, Domaine des Senechaux 2012, desiquilibrado, sem grande estrutura, com o alcool a sobrepor-se a tudo, melhorou com a decantação mas ainda assim muitos furos abaixo da concorrência. Ainda jovem, mudará com a passada do tempo?

E assim foi mais uma sessão de prova de vinhos estrangeiros, desta vez na Taberna dos Gordos, ali ao Príncipe Real. Uma tasca moderna, pequena e catita, onde fomos bem recebidos, num ambiente tranquilo e descontraído.

 

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