Singular Branco 2015

A A&D Wines é um produtor de Entre Douro e Minho, mais propriamente de Baião (ainda parte integrante da região dos Vinhos Verdes), onde detém neste momento três propriedades, a Quinta dos Espinhosos, a Casa do Arrabalde e a Quinta de Santa Teresa. O homem por detrás deste projecto é Alexandre Gomes, que desde muito cedo, por herança familiar, se habitou a conviver com a agricultura e que através dessa ligação se dedicou à produção de vinho. No início dos anos 90 plantou uma vinha nova de 5 hectares com Alvarinho, Avesso e Arinto e, em 2005, já na companhia da sua esposa Dialina, constitui a empresa A&D Wines.

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O ano passado a empresa decide dar um importante passo no desenvolvimento da sua actividade com a aquisição da Quinta de Santa Teresa, que com os seus 30 hectares vai permitir aumentar substancialmente os números de produção. A esta juntam-se os 5 hectares da Casa do Arrabalde e os 7 hectares da Quinta dos Espinhosos. A preocupação ambiental e o respeito pela natureza são duas bandeiras deste produtor que tem actualmente as vinhas numa fase de conversão para agricultura biológica. A enologia é assegurada por Fernando Moura e 90% da produção actual é dirigida à exportação. A aposta para 2016 é no mercado nacional e talvez essa seja a principal razão pela qual só agora comecei a ouvir falar destes vinhos.

Passemos ao Singular Branco 2015. Um lote produzido com 50% de vinhas velhas e a restante metade com Avesso, Alvarinho, Arinto, Chardonnay e Malvasia Fina, de uvas provenientes da Quinta de Santa Teresa e que pretende distinguir as singularidades de cada colheita através da escolha pelo enólogo das melhores uvas e da melhor combinação entre elas. De tom claro e aroma fresco, a citrinos mas também com algumas sugestões de fruta branca e ligeiro floral. O ataque revela alguma doçura de fruta, que é bem integrada pela acidez viva e por um perfil leve, macio, mas ainda assim com alguma estrutura, o que lhe confere uma boa aptidão gastronómica e o convida a acompanhar pratos de peixes mais nobres. É um vinho jovem, ainda a dar os primeiros passos e certamente com detalhes a afinar em próximas edições, mas ainda assim será curioso guardar uma ou outra garrafa para ver como evolui. Palavra final para o rótulo, que não deixa ninguém indiferente, num estilo moderno, apelativo e muito bem conseguido, em linha com a imagem do restante portefólio da A&D Wines (8,5€ / 16).

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Trazidos por mão amiga, provei também recentemente outros dois vinhos deste produtor. O Espinhosos Branco 2015, que é um lote de Avesso e Chardonnay de uvas a 400 mts de altitude provenientes da quinta com o mesmo nome. Curiosamente as castas ligam bem (como atesta o Covela Escolha) e o conjunto mostra boa harmonia. Leve, fresco e com acidez suficiente para dar prazer à mesa, num estilo não muito distante do Singular (8,50€ / 16). E o Casa do Arrabalde Branco 2015, com Avesso, Alvarinho e Arinto, que dos três foi o que gostei menos. Igualmente leve e fresco, com algum tropical, num estilo mais directo e sem a estrutura dos restantes. Ainda assim uma boa proposta para quem procura um estilo mais descontraído para o Verão que se aproxima (5,50€ / 15).

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