Vinhos da Semana IV

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Qual o melhor vinho para impressionar uma miúda? Não foi com certeza a pensar na resposta a esta pergunta que o enólogo Domingos Soares Franco criou este rosé de Moscatel Roxo mas que encaixa na perfeição neste propósito não existem dúvidas. A cor não podia ser mais sexy, o aroma parece saído de um frasco de feromonas e o sabor algo que Afrodite gostaria de ter conhecido. Os 12,5º de teor alcoólico são a cereja no topo do bolo desta equação.  Agora mais a sério. Este é já um clássico da José Maria da Fonseca, um vinho que chega sob o chapéu da marca Colecção Privada do enólogo Domingos Soares Franco e que nesta colheita de 2013 me pareceu mais exuberante que nunca. Salmão brilhante, aroma floral, rosas, lichias, laranja, até nos remete, por momentos, para o moscatel licoroso, na boca, no entanto, é um vinho seco, de bela acidez, elegante, que fará as delícias destes dias mais quentes. É para beber sem reservas. Este vinho é um sucesso desde a primeira edição e a avaliar por este 2013, para continuar. Custa cerca de 10€ e encontra-se com relativa facilidade na grande distribuição (16).

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Voltamos ao Dão e à Casa da Pasarella para a marca Somontes. Sou um indefectível destes vinhos, não o escondo. São vinhos que dentro da faixa de preço onde estão inseridos nos oferecem muito por muito pouco. há uns meses trouxe aqui o reserva tinto e agora é a vez do Encruzado. Este é um vinho desconhecido para a maioria, um vinho que não se encontra com facilidade e que não se ouve falar muito. O próprio produtor não disponibiliza qualquer informação no seu site (bem recomendável por sinal).  Monocasta de Encruzado. Pareceu-me, pela prova, que tem madeira, as sensações torradas do primeiro impacto assim o sugerem, depois chegam aromas citrinos e minerais, conjunto muito fresco e sedutor, com boa acidez e final de bom comprimento. O que se pode pedir mais para um vinho na casa dos 5€?. Encontrá-lo é que é mais difícil. Não houvesse um bastião do Dão em Lisboa (15,5+).

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Last but not least, um vinho branco velho do Douro. Algo que os consumidores fogem como o diabo da cruz e que continua a fazer as delícias de um conjunto de aficcionados, ou wine freaks, ou lá como os chamam. Um vinho 100% produzido a partir de vinhas velhas de Rabigato da Quinta do Carrenho no Douro Superior. Hernani Verdelho, falecido em 2011 (desconheço o actual estado do projecto), conduzia a sua empresa familiar no Vale do Côa com grande paixão, tendo um especial carinho pela casta branca Rabigato. Uma casta que foi muito valorizada pelos seus vinhos, de identidade bem vincada, que expressavam as características da casta e, como se comprova por esta garrafa, digna da marca Dona Berta, em homenagem à sua mãe. Longevidade comprovada. Não se assustem com a cor, o que podia anunciar um vinho oxidado e sem grandes atributos revela-se uma boa surpresa. Aromas evoluídos, resinoso, cheio, complexo, com uma frescura que nos faz querer bebê-lo até ao fim. Pede um frente a frente, sem mais intermediários, com um Serra de longa cura e uma boa fatia de pão. O vinho que serve na perfeição como mote da próxima edição do Inspira Portugal, um projecto do enólogo Hugo Mendes, desta vez sob o tema “Brancos Portugueses Crescidos”. Comprei-o por 10€ na garrafeira lisboeta Estado D’Alma (16+).

 

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