Quinta de Covela – As Novas Colheitas

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Depois de um período de abandono, a Quinta de Covela, em Baião, com o Douro ali aos pés, voltou à produção de vinho pela mão de dois sócios estrangeiros apreciadores dos nossos néctares e que se enamoraram à primeira vista por esta secular propriedade. Agora vieram a Lisboa, mais propriamente ao Chiado, ao Café Lisboa, de José Avillez, apresentar as suas novas colheitas.

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Tony Smith, um retirado jornalista inglês (New York Times e Condé Nast International), e Marcelo Lima, empresário brasileiro, ambos apaixonados pelos nossos vinhos, encontraram nesta quinta de Entre Douro e Minho, em tempos propriedade do cineasta Manoel de Oliveira, o lugar ideal para desenvolverem o investimento que procuravam fazer em Portugal. A beleza do lugar, que não encaixava no estado de abandono em que a propriedade se encontrava, e a qualidade dos vinhos até aí produzidos, foram factores determinantes na escolha destes dois amigos. Depois de uma trabalhosa fase de reabilitação, finalmente a Quinta de Covela tem nova vida e os seus 49 hectares (18 de vinha)voltam a todo o seu esplendor.

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Depois das boas vindas, Gonçalo Sousa Lopes, responsável pela premiada viticultura da propriedade, falou-nos um pouco do trabalho que tem sido feito na reestruturação com as vinhas, onde têm apostado nas castas brancas nacionais, no caso Arinto e Avesso, em detrimento de algumas castas francesas. A totalidade da vinha foi recuperada para produção biológica, estando neste momento numa fase de certificação.

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De seguida o enólogo Rui Cunha falou-no da colheita de 2013 e destacou o facto da vindima ter sido feita antes das chuvas, o que proporcionou às uvas a maturação ideal para os vinhos que pretenderam fazer. Estava tudo pronto para provarmos os novos vinhos de 2013.

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Em Outubro os reserva branco e tinto irão juntar-se ao grupo.

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Tony Smith não se ficou pela Covela em termos de investimentos. O ano passado adquiriu à Sogrape a Quinta da Boavista no Douro, cujos vinhos só estarão no mercado em 2015 e comprou também a marca Quinta das Tecedeiras à Global Wines/Dão Sul , cujo primeiro vinho chegará aos escaparates já no próximo mês.

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Vítor Mendes, director comercial da Quinta de Covela.

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O team Covela que esteve no Café Lisboa. Tony Smith, Gonçalo Sousa Lopes, Vítor Mendes e Rui Cunha.

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A apresentação continuaria com um almoço na esplanada do Café Lisboa, em pleno Largo de São Carlos, mesmo ao lado da casa onde nasceu Fernando Pessoa, onde foi possível aferir a capacidade destes vinhos no cruzamento com a comida.

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Não existia uma ordem de harmonização com os vinhos, estes eram provados livremente sem qualquer imposição do que estava no prato.

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Para entrada o Chefe José Avillez preparou umas Vieiras Marinadas com Abacate, um dos meus pratos favoritos da edição deste ano do Peixe em Lisboa.

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A complexidade do Covela Escolha Branco lidou muito bem com o prato.

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O Bife à Café Lisboa foi o prato principal e encontrou a companhia ideal no Covela Escolha Tinto 2012.

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Para sobremesa, a Torta de Laranja com gelado de nata, ou seria de laranja? Não apontei e já não me lembro.

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Para terminar, ao melhor estilo Alfacinha, um Pastel de Nata feito na casa…

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…acompanhado pelo Moscatel 40 anos da Secret Spot. Laivos verdes a indicar a proveta idade, grande complexidade, final interminável, um vinho impressionante que não conhecia e ao qual fiquei absolutamente rendido.

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Os Vinhos

Foram provados os quatro novos vinhos da colheita de 2013, três brancos e um rosé, tendo chegado mais tarde, já à mesa, o tinto de 2012. Vinhos frescos, com identidade, a deixarem as melhores indicações para o futuro deste projecto. Todos os vinhos tiveram estágio em inox e foram provados em garrafas de formato Magnum.

Covela Edição Nacional Avesso 2013
Curiosa e interessante a aposta assumida nesta casta, que tem o seu foco nos Verdes e que não é muito habitual encontrar-se a solo. Depois do sucesso da colheita anterior, que esgotou pouco tempo depois de ter chegado ao mercado, chega agora a versão de 2013. Aroma delicado, discreto, ainda pouco falador, bom fruto cítrico em fundo mineral. Vinho muito limpo e elegante, acidez viva mas muito bem integrada, travo a lima, tudo fresco e equilibrado, bom final com notas amargas dos citrinos. Venha o Bulhão Pato que vinho já temos (16).

Covela Edição Nacional Arinto 2013
O resultado do que estava na adega agradou tanto que foi decidido criar uma segunda Edição Nacional nesta colheita de 2013, neste caso com a bem portuguesa Arinto. Mais aromático que o anterior, a puxar bem à casta, citrinos, fruta verde, leves notas de pederneira. Na boca mostra-se mais macio e envolvente que o Avesso, acidez vibrante, fresco e expressivo, a pedir claramente dias quentes e marisco no prato (16).

Covela Rosé 2013
Garrafa lindíssima, muito feliz a escolha da cor do rótulo na conjugação com o tom salmão claro do vinho, uma cor que me remeteu de imediato para os campos florais da Provence. Um rosé feito com vindima própria e com uma parcela de Touriga Nacional seleccionada para o efeito. Fruta vermelha no aroma, algum floral e vegetal, tudo envolvido por um fresco fundo mineral. Acidez viva, elegante, muito atractivo, final de média persistência. O vinho ideal para nos levar da piscina à mesa (15,5).

Covela Escolha Branco 2013
Chardonnay, Avesso e mais uns temperos não revelados, com as castas a serem vindimadas por parcelas, com o objectivo de conseguir-se a maturação perfeita em cada uma. Nariz muito convidativo, frutado, citrinos e fruta de caroço, leve tropical, boa complexidade aromática, bem assente num fundo mineral que se mostrou transversal a todos os vinhos. Encorpado na boca, untuoso, acidez de grande intensidade a equilibrar bem o peso do conjunto, final longo e muito persistente. Fico curioso de ver como estes vinhos vão envelhecer. Lidou na perfeição com a delicadeza das vieiras e o sabor mais intenso do molho de abacate (16,5).

Covela Escolha Tinto 2012
Já não é uma novidade e por isso só chegou mais tarde, já com todos à mesa, mas ainda muito a tempo de embalar o bife à café que estava no prato. Feito de Touriga Nacional, Merlot e Cabernet Franc, mostrou-se um tinto muito convidativo, de fruta limpa, preta, silvestre, com uma textura muito elegante, de taninos macios e final de boa persistência. Está num excelente momento de consumo. Um perigo :) (16).

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