2014 para a José Maria da Fonseca

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Há muitos anos que tiro férias em Setembro e não me lembro de um tão chuvoso como o do ano passado. Habitualmente até costumo brincar com os meus colegas que vão de férias em Agosto e dizer-lhes que em Setembro o tempo está melhor, mas de facto o ano passado não foi assim. Depois de um Julho e Agosto muito pouco quente, onde os noticiários davam conta dos prejuízos de quem tem negócios à beira-mar, principalmente a Norte, esperava-se um Setembro mais quente e que ajudasse a salvar a época balnear. Mas não foi isso que aconteceu. O tradicional mês das vindimas foi em 2014 muito chuvoso e, como se sabe, para as uvas isso não é bom.

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No entanto o cenário não foi igual em todo o país e em Setúbal e no Alentejo, principalmente as castas brancas, que são as primeiras a entrar na adega, foram vindimadas antes das chuvas. Isso aliado a um Verão ameno com noites frias deixava antever o melhor para os vinhos brancos. As perspectivas eram as melhores e em Setúbal chegou mesmo a dizer-se que podíamos estar perante a melhor colheita de brancos de sempre. E de facto, assim que os vinhos começaram a chegar à mesa, facilmente se percebeu que estamos perante um ano excepcional na região.

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Foi com este mote que Domingos Soares Franco, vice-presidente e director de enologia da José Maria da Fonseca, dirigiu a prova de brancos e rosés da colheita de 2014 que teve lugar na By the Wine, ao Chiado, Lisboa. Antes de dar início à mesma, enquadrou o momento com as condições que encontrou nesta vindima, que considerou a melhor colheita de brancos que já trabalhou.

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Passemos à prova.

BSE Branco 2014 – Antão Vaz (55), Arinto (35) e Fernão Pires (10). Este vinho foi o primeiro branco produzido pela JMF e chega este ano ao mercado com uma nova imagem, mais limpa e actual. A Arinto ganhou importância no lote em detrimento da Fernão Pires, o que também ajudou a desenhar a frescura do conjunto. Citrinos, fruta branca, leve tropical, tudo envolvido por um subtil fundo mineral. Na boca está seco, com uma acidez limonada muito agradável, mas tudo em equilíbrio e nada em excesso, para um final de boa persistência. Frescura e acidez são duas características que têm feito deste vinho um dos meus melhores companheiros para este Verão. Estou fan. Tem o preço de venda ao público recomendado de 3,99€ e pode encontrar-se em qualquer supermercado do país.

Periquita Branco 2014 – Verdelho (50), Viosinho (25) e Viognier (25). Outra marca emblemática do panorama vínico nacional, aqui na mais recente versão branca. Aromático. Floral, lima, limão, toque vegetal a dar vivacidade ao conjunto. Na boca mostra-se leve, com acidez bem presente, tudo em elegância. O final é menos persistente que no BSE. PVP 3,99€.

Quinta de Camarate Branco Seco 2014 – Alvarinho (65) e Verdelho (35). A Quinta de Camarate foi adquirida em 1914 por António Soares Franco e hoje é uma peça muito importante no puzzle da JMF. É aqui que está a colecção ampelográfica da empresa, com mais de 500 castas de todo o mundo. É aqui também que nascem as uvas para os vinhos da marca Quinta de Camarate, como é o caso deste onde a Alvarinho domina o lote, num perfil sério, sem as habituais exuberâncias da casta. Os aromas mais frutados são evidentes, com lima, limão, pêssegos maduros, maçãs. A boca mostra-nos mais estrutura, com travo limonado, num equilíbrio bem conseguido entre fruta e acidez. Um vinho muito bem feito, que dá imenso prazer a beber, seja qual for o estilo da nossa preferência. PVP 6,80€.

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DSF Colecção Privada Verdelho 2014 – Estes vinhos da Colecção Privada nascem das preferências do enólogo Domingos Soares Franco. A casta Verdelho tem merecido a sua atenção e volta a aparecer em 2014 neste vinho monocasta. Mais contido no nariz que o anterior, fruta limpa e fresca, citrinos, leve vegetal. Untuoso na boca, redondo, acidez mais moderada. PVP 9,90€.

Periquita Rosé 2014 – Castelão (50), Aragonez (30) e Trincadeira (20). Um vinho que não traz rolha de cortiça por imposição dos mercados de exportação onde está presente. Como em Portugal as vendas não são assim tão expressivas o produtor decidiu lançá-lo com cápsula de rosca. Alguém o consegue censurar? Três castas nacionais para um rosé de nariz guloso, com rebuçado, frutos vermelhos, morangos, leve floral. Na boca tem uma ligeira doçura, bem segura por uma acidez equilibrada. Final de boca de média persistência.  A beber bem fresco. PVP 3,99€.

DSF Colecção Privada Moscatel Roxo Rosé 2014 – A casta Moscatel Roxo, com a sua exuberância aromática, não aparece habitualmente em vinhos de mesa, muito menos em forma de monocasta, o que também contribui para fazer deste vinho uma referência. Bonita cor rosa claro. Nariz expressivo, flores, rosas, fruta vermelha, fresco e equilibrado, boa persistência final. A experimentar, bem fresco, com sushi ou outros pratos das cozinhas orientais. PVP 9,90€.

Quinta de Camarate Branco Doce 2014 – Loureiro (80) e Alvarinho (20). Nariz com aromas doces e frutados, fruta branca, alperces, meloa, leve floral. Na boca é doce mas com uma acidez que equilibra o conjunto. Final médio. Para beber como aperitivo, bem fresco e de preferência com o mar por perto. PVP 6,80€.

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A ideia principal que sai desta prova é que de facto os brancos estão com um equilíbrio e uma frescura notáveis. O ano de 2014 confirma-se como um ano de grande qualidade para brancos e não só nas regiões a Sul. O destaque nesta prova tem de ir para o BSE, que está um vinho novo. Nova imagem e novo perfil. Que o torna numa das melhores relações qualidade-preço no segmento dos brancos abaixo de 5€.

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Concluída a prova foi altura de levar os vinhos para a mesa e ver o seu comportamento com os petiscos da By the Wine. E tratando-se da José Maria Fonseca o final não podia ser outro que um Moscatel na companhia de uma Torta de Azeitão.

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