Adegga Winemarket 2014 (Lisboa)

É já este fim de semana que se realiza a tradicional edição de Inverno do Adegga Winemarket, um dos mais importantes eventos vínicos realizados no nosso país, que à semelhança do ano anterior vai realizar-se em Lisboa, no Hotel Florida, ao Marquês de Pombal. Os 40 produtores seleccionados vão apresentar os seus vinhos na atmosfera única que este evento costuma reunir, numa edição que volta a trazer algumas novidades.

A principal prende-se com o lançamento do novo Club A, um clube restrito que promete elevar a experiência Adegga a novos patamares. Lançamento de vinhos seleccionados, jantares exclusivos e eventos especiais, são algumas das iniciativas a que os novos membros terão acesso, tudo, como não poderia deixar de ser, com a qualidade que o ADN Adegga já nos habituou.

Quanto ao evento em si, os visitantes desta edição têm à sua disposição bilhetes com três preços diferentes, consoante a dimensão da experiência pretendida, o Smart Wine Glass, para registar os vinhos provados, a Sala Premium, que volta a reunir um conjunto de vinhos de sonho e, para terminar, a loja do evento, onde será possível adquirir os vinhos em prova. Os bons motivos são demasiados para se faltar a mais esta festa à volta do vinho. Mais informações no site do evento.

Desta vez, por afazeres familiares inadiáveis (sob pena de dar início à terceira guerra mundial) vou estar ausente de Lisboa e por isso afastado do evento, mas foi esse preciso motivo que me levou a olhar para a lista de vinhos em prova e a pensar no que ia perder. Daí a elaborar esta lista de sugestões que agora partilho convosco foi um pequeno passo. O Adegga Winemarket tem muitos motivos de interesses mas estes que a seguir destaco eu não me atreveria a perder. Espero que se divirtam a explorar estas sugestões e a descobrir muitas outras.

1 – Trinca Bolotas Tinto 2013

Comecemos por um vinho acessível, no estilo e no preço, o Trinca Bolotas Tinto 2013. Um vinho alentejano produzido na Herdade do Peso, com uma imagem apelativa e uma excelente relação qualidade-preço. O vinho que serve de homenagem ao Porco Alentejano é muito consensual, intenso de aroma e sabor, que comprova que os excessos de madeira nos vinhos da região parecem estar a passar de moda. Graças a Deus Baco, acrescento eu.

Trinca Bolotas

2 – Viúva Gomes Branco 1969

De seguida uma das maiores novidades desta edição, os históricos vinhos de Colares. A segunda mais antiga região demarcada do nosso país é também a única em que as vinhas, devido às suas raízes muito profundas, resistiram à filoxera, a doença que em finais do século XIX assolou as vinhas europeias. Aqui produzem-se vinhos profundamente diferentes que só ao fim de alguns anos começam a expressar todo o seu potencial. A Adega Viúva Gomes vai estar presente com os seus vinhos e será um lugar de passagem obrigatória. Eu não teria coragem de falhar a prova do Branco de 1969.

3 – Anselmo Mendes Parcela Única 2012

Estamos perante um dos melhores enólogos nacionais, logo não é de estranhar também estarmos perante alguns dos melhores vinhos produzidos no nosso país. Este Parcela Única, como o próprio nome indica, nasce de uma pequena parcela de vinha Alvarinho que Anselmo Mendes possui em Melgaço. Um vinho, pelo que conheço de colheitas anteriores, que foge à exuberância clássica da casta, mas que mostra uma estrutura e complexidade, sempre assente numa frescura mineral, que faz deste um dos melhores brancos produzidos em Portugal. Passagem obrigatória.

 4 – Barbeito Malvasia Colheita 2000 (Casco Único)

Outra das maiores novidades desta edição chega-nos da Madeira, com os vinhos Barbeito. Os vinhos da Madeira serão, provavelmente, os vinhos com mais longevidade em todo o mundo, existindo mesmo garrafas (bebíveis) com mais de dois séculos. São vinhos de sonho, daqueles que qualquer winelover deseja cruzar-se pelo menos uma vez na vida. Mas para quem não está familiarizado com este tipo de vinho tem agora uma oportunidade de ouro de provar um vinho que pode abrir a porta a novos fans destes vinhos. O Malvasia Colheita 2000, proveniente de um casco que demonstrou características excepcionais, exprime um grande ano para a casta Malvasia no arquipélago, com um equilíbrio extraordinário entre a doçura e a acidez que não vai deixar ninguém indiferente.

5 – Adega Mãe Viosinho 2013

O recente produtor da região de Lisboa, Adega Mãe, vai trazer como novidades os seus monocastas tintos, que já tive oportunidade de provar e dos quais destaco o Merlot 2012. Mas uma casta que se tem mostrado em grande forma naquelas bandas tem sido a Viosinho, que depois de em 2012 ter resultado num belo vinho, volta em 2013 a mostrar que a influencia atlântica das vinhas de Torres Vedras lhe faz muito bem. Seco, salino, com bela acidez, um vinho sério, que exprime a casta de uma forma diferente e que vale muito a pena conhecer.

Adega Mãe Viosinho 2013

6 – Villa Oliveira Branco 2012

O topo de gama branco da Casa da Passarella continua em grande forma e esta é uma boa oportunidade de o comprovar. As vinhas velhas de Encruzado têm aqui uma interpretação notável, num vinho onde a barrica ainda está presente mas cada vez melhor integrada, com uma frescura e mineralidade que faz dele um dos grandes brancos do Dão. Imperdível.

Villa Oliveira Branco 2012

7 – Duas Quintas Reserva Tinto 2011

Duas Quintas porque as uvas que compõem este vinho chegam de duas quintas diferentes que o produtor Ramos Pinto possui no Douro Superior, a Quinta dos Bons Ares e a Quinta de Ervamoira. Este vinho é um clássico do Douro e esta colheita de 2011, que tem sido aclamada em todo o mundo, deu lugar a vinhos memoráveis. Uma excelente oportunidade para provar este vinho que recebeu 95 pontos na conceituada publicação norte americana, Wine Spectator.

8 – Niepoort Poeirinho 2012

Em 2012 a Niepoort adquiriu a Quinta de Baixo na Bairrada e começam agora a surgir os primeiros vinhos desse projecto. A paixão de Dirk Niepoort pela casta Baga (Poeirinho, como é apelidada na Bairrada) já é antiga e concretiza-se agora neste vinho que inclui uvas de vinhas com várias idades, tendo a mais nova 80 anos. A complexidade das vinhas velhas está bem presente num vinho que mostra que nem todos os vinhos de Baga são imbebíveis nos primeiros anos de vida. Fresco e elegante, tremendamente genuíno, este é um vinho a que não podem passar ao lado.

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9 – Soalheiro Reserva 2013

Falar de Soalheiro é falar de excelência e este Alvarinho Soalheiro Reserva é o topo de gama do produtor. Diferencia-se da demais família por ser fermentado e estagiado em barricas de carvalho, o que lhe transmite uma maior estrutura e complexidade, que em ligação com a frescura da uva Alvarinho confere um equilíbrio que faz dele um grande vinho. Este é daqueles para beber agora, se gostamos da sentir um pouco a barrica, ou guardar em cave para beber daqui a uns anos, onde apresentará maior complexidade de aromas e sabores. Para conferir sem hesitações.

10 – Kopke Colheita 1967

Bons Vinhos do Porto é coisa que não pode faltar num Adegga Winemarket, não fosse André Ribeirinho, um dos mentores do projecto, um fan incondicional deste tipo de vinho. Este Kopke pertence à família dos Tawny, que são vinhos provenientes de uma única colheita que envelhecem durante muitos anos em grandes pipas de madeira. Esse estágio prolongado confere-lhe uma complexidade excepcional e será sempre um momento único provar um néctar com quase 50 anos (na Sala Premium irá estar a colheita de 1941).

11 – Quinta do Pôpa Homenagem 2009

Uma estreia absoluta será o novo vinho da Quinta do Pôpa, em tributo a Francisco Ferreira, avô de Vanessa e Stéphane Ferreira, actuais proprietários da quinta. Este passará a ser o topo de gama da casa, apenas 2000 garrafas, de um vinho que deverá expressar a frescura que as anteriores referências do produtor têm demonstrado. A não perder sobre pretexto nenhum.

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12 – Casa de Mouraz Elfa 2010

Este vinho, mais que uma sugestão, é um desafio que vos proponho. O desafio de provarem um vinho totalmente desalinhado com o que está pré-estabelecido. Tão diferente e tão aliciante, tão controverso, tão corajosamente fora da caixa. E mais não digo. I-m-p-e-r-d-í-v-e-l!

13 – Sanjoanne Terroir Mineral 2013

Este produtor já é um habituée no Adegga Winemarket. Com os seus tintos do Dão e os brancos da região dos Verdes, demonstra, ano após ano, a consistência, sem cedências, de um projecto de autor. São muitos e bons os vinhos deste produtor, mas nunca me canso de sugerir este Terroir Mineral. São 5€ de vinho que nos satisfazem totalmente e que nesta colheita nos chegam com um novo rótulo e uma nova garrafa. Podem comprar sem medos, para beber agora ou para esquecer umas garrafas em cave. Este produtor por vezes brinda-nos com algumas surpresas em forma de brancos com idade absolutamente incríveis, por isso fica o aviso à navegação.

SanJoanne Terroir Mineral 2013

14 – Quinta de Sant’Ana Touriga Nacional 2011

Depois do trabalho que este produtor tem feito à volta de algumas castas na sua propriedade no Gradil, em Mafra, Lisboa, fico com curiosidade para saber como será a sua interpretação da casta rainha portuguesa. Promete-se “um vinho elegante e com imenso potencial gastronómico”, “…com um excelente equilíbrio entre acidez e taninos”, o que me deixa cheio de vontade de conhecer.

15 – Quinta do Mouro 2008

Termino com um dos meus produtores alentejanos favoritos e com um vinho que conheço bem mas que, provavelmente, não iria perder a oportunidade de voltar a provar e perceber a sua fase de evolução. Porque estes são vinhos com longevidade, que podemos guardar em cave durante anos, que nos recompensam habitualmente com boas surpresas. Mais um exemplo que o Alentejo não tem de ser uma bomba de fruta e excessos de madeira. Para fechar com chave de ouro.

Se pretenderem elevar a vossa experiência a outro nível, por 50€ podem aceder à Sala Premium onde vão estar vinhos de outra galáxia em prova. Vinhos que por vezes só se provam uma vez na vida. É difícil fazer destaques numa formação tão luxuosa mas penso que o Porto Niepoort VV, o Kopke 1941, o Barbeito Malvasia 40 Anos Mãe Manuela, o Niepoort Turris Tinto 2012, ou o Montirius Mineral Branco 2006 (suspiro três vezes ao escrever o nome deste vinho) serão incontornáveis e darão provas memoráveis. 

Para nota final deixo a iniciativa do colega blogger Carlos Janeiro, do Blog Comer, Beber e Lazer, que vai levar a cabo mais um dos seus Wine Walk pelo evento, desta vez sob o tema “O que me fala o Vinho”. Uma abordagem divertida e pedagógica, grátis e aberta a todos, que irá mostrar a sua visão pessoal sobre alguns vinhos em exposição. Todas as informações aqui.

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