Bairrada Clássico

É indiscutível que a Bairrada, nestes últimos anos, recuperou uma notoriedade que lhe permitiu engrandecer a sua posição enquanto região produtora e por conseguinte uma maior visibilidade para os seus agentes e os vinhos que produzem. Não será alheio o trabalho desenvolvido pela actual CVR, que teve o mérito de unir os seus associados e a partir daí encontrar sinergias e estratégias, tanto estatutárias, como de marketing, que possibilitaram a implementação de vários projectos que resultaram neste novo fôlego que a região vive actualmente.

Não só a Bairrada passou a constar do calendário vínico nacional com um conjunto de eventos com dimensão para atrair novos visitantes, possibilitando dessa forma não só uma montra previlegiada aos produtores locais, como por arrasto uma dinamização do seu próprio turismo, mas também, conseguindo olhar para dentro e encontrar novos dínamos para a própria produção, dos quais o projecto Baga Bairrada é um bom exemplo, assim como a mais recente aposta em recuperar a categoria Bairrada Clássico.

Os 4 Fantásticos. Até ao momento os únicos representantes da categoria Bairrada Clássico.

A categoria Bairrada Clássico, que pretende ser a expressão máxima de identidade e autenticidade da região, é a mais alta dos vinhos Bairrada e tem sido ignorada ao ponto de até hoje apenas existirem 4 vinhos com essa classificação. Perante este cenário a CVR Bairrada assumiu a importancia de atrair mais produtores para esta categoria e nesse sentido implementou um programa, que passou pela alteração de estatutos e abriu-se a mais castas (também passou a permitir vinhos brancos), tendo sempre a preocupação de exigir métodos de produção que defendam o classicismo da região.

Os “4 Fantásticos” que, até ao momento, fazem a história desta categoria, estiveram em prova numa iniciativa recente promovida pela CVR Bairrada:

O Quinta de Baixo Tinto 2003, produzido pelo Dr. João Póvoas (Kompassus) com enologia de Rui Moura Alves, foi o primeiro vinho desta categoria e durante muitos anos o único. Vinhas velhas de Baga (cerca de 90%), vinificação em lagares abertos e estágio em barrica durante 14 meses. Chega aos dias de hoje em boa forma, ainda a sugerir fruta no aroma, com volume e vivacidade, num perfil mais quente que é atenuado pela linha de acidez que caracterizam estes vinhos.

Mais recentemente, o projecto VPuro de Nuno do Ó e João Soares, recuperou esta prática e deu início a uma nova geração de vinhos desta categoria com a marca Outrora, um tributo às vinhas centenárias da região, como os próprios fazem questão de afirmar. O classicismo deste vinho não se resume só ao rótulo, também está presente no seu perfil e na forma como é produzido. Uvas de Baga seleccionadas de videiras com uma idade média de 100 anos, vinificação em lagares com pisa a pé, com uma percentagem de engaço, estágio de 24 meses em barricas novas e usadas, seguindo-se de mais uns meses em garrafa. O mais recente vinho no mercado é o Outrora 2012, que se mostra de grande elegância, apesar da juventude. Expressivo à casta, com boa complexidade aromática, onde a fruta silvestre madura, o vegetal seco e o refrescante fundo mineral surgem em saudável diálogo. A boca mostra boa estrutura e concentração, com taninos sólidos e acidez muito presente, tão típica da Baga, num conjunto amaciado pelo conforto da barrica. Um vinho que já dá imenso prazer a beber mas que irá crescer durante os próximos anos.

O primeiro Bairrada Clássico chega aos dias de hoje ainda com muito para dizer.

Seguiram-se até ao momento mais dois vinhos, o Messias Garrafeira Clássico Tinto 2010, também pelas mãos do enólogo João Soares e, finalmente o primeiro branco, o Frei João Clássico Branco 2015. O primeiro é um 100% Baga, também vinificado em lagar com pisa a pé, seguindo-se um estágio de 24 meses em barrica mais 12 de garrafa. De estilo encorpado e taninos presentes, tem no aroma balsâmicos, fruta preta madura e sugestões vegetais. A boca tem um perfil clássico, com músculo e carácter, num final com boa frescura e persistência. O segundo falei dele aqui muito recentemente e foi uma das melhores novidades do final do ano passado. Um branco sóbrio, muito entusiasmante, que na sua juventude deixa antever um futuro de muitas alegrias.

Com estes quatro bons exemplos, que de facto nos transportam para estilos de antigamente, cá ficamos a aguardar por novidades bairradinas embuídas de um espirito clássico, que se espera seja do nosso contentamento. A ver vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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