Casa da Passarella O Fugitivo Curtimenta 2015

Ainda me lembro bem da onda de entusiasmo que esta gama da Casa da Passarella gerou quando chegou ao mercado. Os Fugitivo eram vinhos diferentes, na sua génese, mas também na imagem, e bem sabemos como o mundo do vinho é ávido destas novidades disruptivas. O conceito não podia ser mais simples e honesto, vinhos que fugiam à linha convencional do portefolio do produtor e que procuravam recuperar métodos e tradições da forma como os antigos faziam vinho. Vinhos muito bem feitos e que de imediato conquistaram os palatos dos consumidores mais afoitos a novas abordagens. Claro que se pode dizer que não há aqui nada de novo, apenas um recuperar de estilos e métodos de outrora, o que é um facto, mas a verdade é que comercialmente estes Fugitivo tiveram o mérito de trazer esta realidade para o mercado de uma forma como nenhuns outros tinham conseguido até ali.

Esta é uma gama de vinhos que dá toda a liberdade ao enólogo, pois não pretende ser um produto alinhado com o portefólio, onde é preciso manter a marca e a consistência, aqui a ordem é mesmo inovar a partir daquilo que a colheita de cada ano oferece. Em relação aos brancos, os que interessam para hoje, surgiram nas primeiras edições em modo Garrafeira Branco, para mais tarde se vestirem de laranja com os Curtimenta. Voltei ao Curtimenta 2015 recentemente, num almoço caseiro na companhia de alguns amigos e o vinho mostrou-se muito bem. Mas chegou a assustar, com uma cor bastante carregada temeu-se o pior (um verdadeiro orange), algo que depois a prova veio colocar no devido lugar. No seu estilo oxidativo, mantem o perfil que o caracteriza, com complexidade de aromas e uma presença de boca de grande profundidade. Ganhou corpo, mas mantém uma acidez perfeita, num equilíbrio cheio de carácter que termina com excelente persistência. Não terá sido o par perfeito para as ervilhas com ovos escalfados do repasto, mas revelou-se em grande forma e a dar sinais que podemos contar com ele por mais tempo. Incontornável para os aficcionados dos vinhos desviantes. Não digo naturais senão ainda me atiram pedras e hoje não estou para Intifadas.

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