Comer em Lisboa

(Actualizado em Novembro de 2018)

Esta publicação não pretende ser uma lista das melhores mesas de Lisboa, nem dos lugares mais na moda que atraem hordas de turistas, nem sequer das novidades que todas as semanas fazem as parangonas da imprensa especializada. Esta publicação pretende ser apenas uma lista dos meus lugares favoritos desta que é a minha cidade. Lugares da minha preferência, onde vou com alguma frequência e que indico sem hesitar quando me pedem sugestões. Espero que gostem e que possa ser útil.

De forma a proporcionar uma consulta mais fácil, as entradas estão organizadas por freguesias e estas por ordem alfabética. 

ARROIOS

Cervejaria Ramiro, Avenida Almirante Reis 1H – Não há maior cartão de visita para uma marisqueira que estar sempre cheia com filas à porta e nesse campo O Ramiro está como peixe na água. Começou como casa de pasto, em meados do século XX, mas aos poucos os mariscos começaram a fazer parte da oferta desta, que é hoje, uma das maiores referências do género na cidade. As especialidades são muitas, o difícil é escolher, mas quando se fala desta casa são incontornáveis os mariscos, sempre frescos, a insinuarem-se-nos nos aquários e vitrines que decoram o espaço e as famosas Gambas Al Ajillo. Para o final, temos sempre de guardar espaço para o prego, outro dos ex-libris do lugar. A cerveja sai a bom ritmo, como não poderia deixar de ser, mas atenção, o Ramiro também tem bom vinho e a preços bem realistas. Pena são os copos.
Um clássico e um porto sempre seguro na restauração lisboeta.
Preço médio sem vinho 25€ (mas depende sempre do tipo de bicho que se quer no prato)

Mr Lu, Rua António Pedro 95 – Após um período clandestino no Martim Moniz, Zhiaming Lu chegou ao Bairro de Arroios em 2014 (por detrás do antigo Centro Comercial Portugália) com a sua cozinha tradicional de Shandong para se tornar uma das maiores referências da gastronomia chinesa da capital portuguesa. O peixe agri-doce, as gambas picantes ou, o meu favorito, caranguejo de casca mole picante, fazem as delícias (entre tantas outras iguarias) dos apaixonados das gastronomias orientais. Preço médio 12,50€

Zaafran by Chef Khan, Rua Dona Estefânia 155 – O Zaafran by Chef Khan é a versão take away do conhecido restaurante indiano do Largo da Estefânia e é uma excelente sugestão para quem procure uma refeição rápida, saborosa e barata, ou para levar para casa. Além das chamuças e dos tikka masala, há frango assado, petiscos, sopas, sandes, etc… Preço médio 7,50€

AVENIDAS NOVAS

Cacué, Rua Tomás Ribeiro 93 B – (fecha aos domingos e sábados ao jantar) – Neste simpático restaurante na zona do Saldanha, pequeno mas confortável, o jovem chefe José Saudade e Silva oferece cozinha portuguesa sem truques, bem intepretada e cheia de sabor. Dos croquetes e pasteis de massa tenra das entradas, aos pregos, bifanas e ameijoas à Bulhão Pato dos petiscos, passando pelo arroz de cabidela ou bochechas de porco dos pratos principais, terminando na mousse de chocolate, um mundo de delícias a descobrir.

LAB A Padaria Portuguesa, Avenida da República 39  – (todos os dias das 7:30 às 21:00) – O LAB da Padaria Portuguesa é um lugar especial no universo desta famosa cadeia de padarias e pastelarias de bairro. O branco imaculado da decoração, em jeito de laboratorio, ajuda a criar o ambiente ideal para um verdadeiro banco de ensaios da marca. É aqui que são criados, testados e desenvolvidos os novos pães artesanais, de farinhas seleccionadas e fermentações lentas, mas também os bolos, sandes e saladas inovadoras que, se tudo correr bem, um dia chegarão às restantes lojas do grupo. O espaço amplo e luminoso, servido por um wi fi que funciona na perfeição, também faz deste um lugar muito apetecível para ficar a trabalhar enquanto se almoça ou lancha. Lá fora, segue indiferente o frenesim de uma das artérias mais movimentadas da cidade.

Rubro Campo Pequeno, Praça de Touros do Campo Pequeno – Quantos restaurantes conhecem onde se pode chegar com uma garrafa de vinho debaixo do braço, sem avisar, e somos recebidos com um sorriso na cara e tratados como os melhores clientes do mundo? Não o costumo fazer, até porque sempre que se tenciona levar uma garrafa para um restaurante (BYOB*) deve avisar-se na reserva, mas já me aconteceu chegar de garrafa na mão sem avisar e deu para perceber que o Rubro leva, assim como todo o serviço de vinho, o BYOB muito a sério.

À mesa é a gastronomia espanhola que impera. Com as tapas e as carnes grelhadas a ditarem regras. Pimentos Padron, Ovos Rotos, Camarão Al Ajillo, Tortilhas, Queijos, Presunto Ibérico, Plumas, Solomillo e o famoso Chulleton de boi. A oferta de peixe é mais reduzida mas também existe. O serviço é bom, o ambiente descontraído e a carta de vinhos, com muitas opções a copo, é um dos ex libris da casa.

O seu irmão da Avenida mantém os predicados e é também uma opção a ter em conta para aquelas bandas da cidade. Preço médio sem vinho, 20€.

* BYOB é o conceito que permite ao cliente levar o seu próprio vinho para o restaurante. Este conceito só se justifica quando se trata de um vinho especial, que provavelmente o restaurante não tem na sua carta. Nestes casos há espaços que cobram uma taxa de serviço e outros não. O sistema de BYOB ainda é pouco utilizado em Portugal, havendo mesmo restaurantes que o desconhecem em absoluto.

BENFICA

Tasca do Zé Pinto, Largo General Sousa Brandão – 21 778 7783 – Nos seus tempos áureos chamei-lhe a tasca em todo o seu esplendor. Depois mudou de gerência, sofreu uma remodelação e, apesar da equipa, da cozinha à sala, se ter mantido, perdeu-se alguma da sua autenticidade. Mas saudosismos à parte, continuam a chegar à mesa, com grande mestria, os grelhados no carvão. Secretos, Entremeada, Entrecosto, acompanhados pelo inevitável arroz de feijão e pela batata frita caseira. Além da grelha, também se recomendam as tradicionais pratos do dia, que nos podem levar de um Bacalhau com Grão a uma consistente Feijoada.
Preço médio sem vinho 15€.

CAMPO DE OURIQUE

Leitaria Condestável, Rua Correia Teles 31 (das 09:00 às 00:00, fecha aos domingos) – Também é conhecida pela Casa dos Pregos e há que afiance que são os melhores de Lisboa. Os melhores não diria, mas dos melhores, definitivamente. Até porque são pregos da old school, servidos em carcaça, com os sucos da carne a embeber a mesma, numa simbiose a roçar a perfeição. Além dos pregos, há moelas, pipis e outras iguarias do mesmo nível e, na época, os inevitáveis caracóis. Lisboa autêntica em todo o seu esplendor.

CAMPOLIDE

Os Goliardos, Rua General Taborda 91 (quintas e sextas, das 17 às 20:00) – Aqui não se come. E na verdade também não se bebe. É uma loja, se assim a quisermos classificar. Na realidade é uma garagem. A garagem mais entusiasmante e procurada de Lisboa. Os Goliardos já fazem parte da velha guarda dos vinhos em Portugal e, ano após ano, apresentam -nos um catálogo de fazer suspirar o mais irrascível dos winelovers. É conferir. E encher a mala do carro.

ESTRELA (Alcântara)

O Palácio, Rua Prior do Crato 142 (Alcântara)  – 21 396 1647 – Se há restaurante que conheço desde que me conheço, é o Palácio. E é um lugar que, apesar de toda a oferta que surgiu em Lisboa durante estas últimas décadas, continua a ser o meu preferido para comer uma sapateira ou uma açorda de camarão, só para dar dois exemplos. O facto de estar aberto do almoço até às 02:00 também faz dele um espaço muito versátil, seja para almoçar, lanchar, petiscar, jantar ou sear, sempre com uma oferta de qualidade, tão típica nestas casas. O serviço também não falha, daqueles da velha guarda, que só com um olhar mete uma imperial fresquinha na mesa. O serviço de vinhos podia ser melhor, mas de resto, dos pratos tradicionais aos mariscos, passando pelos petiscos e terminando nos bifes e nos pregos, é tudo bom.

Gleba – Moagem & Padaria, Rua Prior do Crato 14-18 (Alcântara) – 966 064 697 – Já disse tudo aqui, é um dos melhores pães que se fazem no nosso país e por isso um lugar de visita obrigatória.

MISERICÓRDIA (Centro, Chiado, Bairro Alto, Príncipe Real)

Chipie la Galette, Rua do Dr. António de Sousa Macedo 2 (Todos os dias das 8:30 às 22:30, domingos fecha às 17:00, segundas e terças aberto 24 horas) – “Crêpes et Galettes Bretonnes”, pode ler-se num dos toldos, enquanto que no outro, “Café – Restaurant & Brunch, Épicerie et Fromages Français”. E não há muito mais a acrescentar, crepes e galetes em modo de pequeno almoço, lanche ou para uma refeição mais completa. Mas também há menus de pequeno almoço, sandes, tostas e saladas. A costela francesa vem ao de cima com os queijos (Comté, Camembert, entre outros), a charcuteria (Rilettes e Andouillettes) e uma boa sidra natural. Só falta uma boa oferta de vinhos e cervejas. O espaço tem pinta, a localização é máxima e o serviço, não sendo o mais simpático do mundo, costuma cumprir plenamente.

Tapisco, Rua Dom Pedro V 80 – 21 342 0681 – É o mais recente espaço do Chef Henrique Sá Pessoa, onde é possível conviver com uma vertente da sua cozinha mais simples e petsiqueira. O conceito passa por reunir uma selecção de alguns dos melhores petiscos portugueses e tapas espanholas, numa oferta que de facto se verifica de grande qualidade. Tártaro de Atum, Esqueixada de Bacalao, Gambas al Ajillo, Açorda de Gambas ou Paella Negra, são algumas das especialidades do menu e todas muito recomendáveis. O espaço é moderno e bonito, o serviço jovem e profissional e a oferta de vinhos (apesar dos preços) também cumpre. Um lugar que é sempre uma boa opção para aquele jantar mais romantico, ou para mostrar a movida alfacinha aqueles amigos que estão de visita à cidade.

Sea Me, Rua do Loreto 21 (Chiado), 21 346 15 64 – Já falei sobre ele várias vezes aqui no blog mas nunca teve as honras de ter um post em nome próprio. Uma injustiça que se atenua com a entrada nesta lista. O Sea Me alia de forma perfeita modernidade ao conceito de cervejaria e marisqueira, e conseguiu afirmar-se numa cidade com tanta oferta de qualidade nesta área, o que é obra. Mas a coisa não fica por aqui. A oferta estende-se ainda ao sushi e à peixaria, esta última onde se pode levar peixe fresco ou preparados para casa, como o famoso hambúrguer de choco e salmão em pão de alfarroba.
É tudo bom. Das Ostras às Ameijoas, dos Nigiri de Sardinha Assada (soberbos) ao Sushi mais tradicional, do Prego de Atum ao Prego de Lombo em Bolo do Caco. O serviço, sob o signo da informalidade, é simpático e eficiente.
Nos vinhos a oferta também cumpre. Boa carta de vinhos, dividida por regiões, datada e com preços dentro do aceitável. Válidas opções a copo.
É pena que não seja mais barato para lá podermos ir mais amiúde, mas o mundo perfeito não existe.
Preço médio sem vinho, 30€ (pode-se ir em modo petisco e gasta-se menos). 

Sea Me

Cantinho do Avillez, Rua dos Duques de Bragança 7 (Chiado) – 21 199 2369 – Não será a democratização da alta cozinha mas poderá ser uma excelente porta de entrada. José Avillez pega num receituário mais tradicional e dá-lhe um twist sofisticado abrindo assim o apetite para a sua cozinha mais vanguardista. Peixinhos da Horta com Molho Tártaro, Lascas de Bacalhau com Azeitonas Explosivas, Risotto do Boletos com Parmesão, são algumas das tentadoras propostas à nossa disposição. Podem ler mais sobre o Cantinho no post que escrevi e que se mantém perfeitamente actualizado.
Preço médio sem vinho  30€

Noobai Café, Miradouro de Santa Catarina (Adamastor), 21 346 5014 – Já não tem o charme do Noobai original, aquela esplanada escondida e meio tosca, decorada como a casa da avó, que durante algum tempo foi dos segredos mais bem guardados da cidade. Hoje modernizou-se, teve profundas obras de remodelação, mas continua a ser um lugar onde vou com alguma frequência, principalmente para um almoço tardio ao domingo, ou para um copo antes de jantar. A vista, sobre o rio e a cidade, continua a ser o seu maior cartão de visita, mas as tostas, os pratos do dia (sempre um vegetariano) e a boa selecção de vinhos dos Goliardos, são outros motivos pelos quais vale a pena a visita.

Belcanto, Largo de São Carlos 10 – 21 342 0607 – José Avillez dá continuidade ao trabalho iniciado no Tavares, pegando no mítico Belcanto do Largo de São Carlos e trazendo-lhe a excelência e criatividade da sua cozinha. O nível é altíssimo, como escrevi aqui. Uma experiência única e imperdível, para aquela que é, actualmente, a maior referência de alta cozinha na capital.

Belcanto. No bosque depois da caça.

SANTA MARIA MAIOR (Martim Moniz, Mouraria)

Mi Dai, Calçada da Mouraria 7 – A cantina do Martim Moniz é daqueles lugares que primeiro estranha-se e depois não se quer outra coisa. Enquanto não descobrirmos o resultado das combinações de todos aqueles ingredientes expostos na montra frigorifica não descansamos e a descoberta é, garanto, cada uma melhor que outra. A comunicação pode não ser das mais fáceis mas basta apontar e temos a certeza que nos chega um prato delicioso à mesa. Uma cozinha chinesa desconhecida para muitos – longe dos chop suyes – que não sabem o que estão a perder enquanto não a descobrirem.

SÃO VICENTE (Santa Apolónia)

Pizzeria Casanova, Avenida Infante Dom Henrique, Armazém B, Loja 7 (Santa Apolónia) – 218 877 532 – No ano 2000, mais precisamente a 25 de Abril de 2000, Maria Paola Porru abriu uma pizzeria no Cais da Pedra, em Santa Apolónia, que se viria a tornar um marco na restauração lisboeta. As filas à porta (não existem reservas) passaram a ser uma constante e um indicador da qualidade das pizzas que ali se cozinham. Produzidas com muito rigor, em forno a lenha e com produtos frescos cuidadosamente seleccionados, são merecidamente consideradas das melhores de Lisboa. Além das pizzas há os antipasti, com as mozarella e os prosciutto à cabeça e os pratos tradicionais, como as lasagnas, as carbonaras ou as zuppas. O espaço é descontraído, tipo cantina, com bancos corridos, mas nos dias quentes é a esplanada com vista para o Tejo que enche primeiro. Pizzas de grande qualidade e preços muito honestos são a receita para ao fim de quase 20 anos continuar a ser uma referência de paragem obrigatória. Preço médio sem vinho 15€

Sem Título

Há Quando Houver. O sugestivo título para a pizza de Verão (figos e presunto) mais desejada de Lisboa.

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