Il Matriciano (Lisboa)

O efeito que a cidade de Lisboa tem sobre os estrangeiros é sobejamente conhecido. Primeiro é a luz, depois a história, logo a seguir a gastronomia, a segurança, a cultura e por aí fora… Um sem fim de razões pelas quais é comum conhecermos historias de estrangeiros que se rendem à beleza da cidade e por cá decidem ficar. Esta é mais uma dessas histórias. Alexssandro Lagana, italiano de Roma, vinha amiúdes vezes a Lisboa por motivos profissionais e rapidamente se rendeu à tranquilidade e à qualidade de vida da cidade. Um dia trouxe toda a família e ficou de vez.

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Tendo projectos em Roma na área da hotelaria e restauração, foi natural a decisão de abrir um restaurante na capital portuguesa. Juntamente com a esposa Carpoca Stefania e os filhos, escolheram para esta nova aventura em Lisboa o antigo BeBel, em São Bento, bem de frente para a Assembleia da Republica. Um restaurante que já conheciam das suas viagens a Lisboa e que gostavam especialmente. Quando souberam que a antiga proprietária estava a equacionar deixar o espaço, nem hesitaram.

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E em Dezembro de 2014 nascia o Il Matriciano, um dos mais recentes restaurantes italianos da capital. Mas a ideia desde o início não era abrir apenas mais um restaurante italiano, era juntar a isso um lugar que pudesse proporcionar aos seus clientes uma autêntica viagem a Itália. Assim, dos funcionários aos produtos, passando pelo chef de cozinha, é tudo genuinamente italiano.  A aposta é numa cozinha de qualidade, autêntica, servida por produtos de qualidade, que Alexssandro continua a trazer religiosamente das suas viagens semanais a Itália.

Agora, com a entrada da nova carta de Inverno, inspirada na gastronomia romana, fui convidado para ir conhecer o espaço e os novos pratos. Entremos então para jantar.

Numa quinta-feira de casa cheia, encontrei um espaço bonito, decorado com muito bom gosto, a dar a sensação que estamos a entrar na casa de alguém e não na sala de um restaurante. Há recantos românticos com luz a condizer e um encantador pátio exterior, que fará as delícias nas noites mais quentes.

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Uovo al Tartufo. Com trufa fresca, cortada no momento à nossa frente. Enquanto jantava tive a oportunidade de trocar umas palavras com Alexssandro que tinha acabado de chegar de Roma. Vinha cansado, mas feliz, a época da trufa tinha começado em Itália e já trazia com ele um aromático saco de belos exemplares. Os próximos tempos prometem ser perfumados em São Bento.

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Burrata com tomate e anchovas. Uma burrata autêntica, a anos luz das que se compram no supermercado, que parecem borracha e fazem lembrar a bola das raquetes de praia.

Na sala é Vittorio que lidera e toma conta do serviço, sempre com a ajuda e o olhar atento de Carpoca, enquanto na cozinha a responsabilidade dos fogões está a cargo de Maurizio Traina, o chefe de cozinha natural de Bergamo. Facilmente se percebe qual a lingua oficial no Il Matriciano.

À mesa destaca-se obviamente a excelência dos produtos italianos. Primeiro um couvert com salami e um pate com trufa, acompanhado por uma flute de espumante italiano meio-doce. Depois a carta viaja pelos antipasti, com as bruschettas e as burratas, pelos risottos, pelos primeiro pratos onde encontramos os ravioli ou os tortellini, enquanto no segundos podemos encontrar algumas receitas típicas de carne, como a cotoletta ou as tradicionais polpette. E as sobremesas, que nesta carta ganharam um outro brilho com os novos gelados de fruta, uma exclusividade da casa para Portugal, onde o gelado, produzido em Itália, chega à mesa dentro da própria fruta.

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O branco. A cidade de Monte Porzio Catone, a sul de Roma, tem na produção de vinho branco DOC Frascati um dos maiores motores da sua economia. São vinhos secos, de mesa, produzidos maioritariamente com a casta Malvasia que aparecem com frequência à mesa dos restaurantes da cidade de Roma. Este chegou um pouco mais longe e está em Lisboa para quem o quiser conhecer.

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Bucatini caseiro. Uma massa fresca artesanal, feita no próprio restaurante pelo chef Maurizio Traina, que se caracteriza por ter um furo ao longo de toda a massa. O termo vem do conhecido osso buco (buraco em italiano). Esta tinha um ligeiro travo picante e expressava na perfeição e sem cedências o termo al dente. Como se isso não bastasse ainda foi mimada com um Parmigiano-Reggiano DOP ralado ao momento.

Os vinhos mantêm a procedência, por entre espumantes, brancos e tintos. O serviço é bom e os copos também. Só um detalhe a pedir correcção, o tinto chegou quente à mesa.

Quase a cumprir o primeiro ano de vida, o Il Matriciano assume-se, com propriedade, como uma segunda embaixada de Itália em Lisboa. A experiência para quem o visita não se resume à gastronomia, há um lado cultural que é valorizado e essa autenticidade demarca-o dos demais.

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O tinto. Um monocasta de Montepulciano do centro de Itália, da região de Abruzzo, produzido pela Azienda Agricola Valle Reale. Leve na cor, frutado, com notas terrosas e boa acidez, que lidaram bem com os sabores fortes desta gastronomia.

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O prato da noite. Raviolis com Queijo Ricotta e Espinafres.

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O fresco final. Com os novos gelados de fruta da nova carta, trazidos expressamente de Itália em exclusivo para Portugal e que são servidos dentro da própria fruta.

Il Matriciano
Rua de São Bento 107
Tel: +351 213 952 639
Email: [email protected]
Fecha ao domingo
Preço médio sem vinho: 20€

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1 Comment

  • teixeira diz:

    O primeiro restaurante italiano verdadeiro que, em 25 anos, fui em Lisboa. Os demais, fechados ou abertos, “aportuguevezaram” receitas originais da “Bota”. Tudo correu tão bem que voltaremos para dar sequência à peregrinação pela ementa. Sortudos , comemos todos os pratos de trufas. Vida longa ao Il Matriciano e que não faça concessões.

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