Mesa de Lemos (Viseu)

O mapa do Dão e a homenagem à Touriga Nacional, com uma infusão de frutos vermelhos e uma violeta. O prelúdio da Mesa de Lemos, enquadrado pelos tecidos da Abyss.
Ovo frito com maionese, alho frances frito e maçã. Adoro este tipo de pratos com ovo e este não foi uma excepção, estava muito bom. Penso que deveria ser servido de outra forma, pois devido à textura do ovo não dá muito jeito a comer.
Tomate com Manjericao. Gelado de tomate com travo a manjerocão, outra entrada muito leve, fresca e cheia de sabor.  
Leguminosas com percebes das Berlengas. O feijão frade, que também surge em puré, veio do mercado de Viseu. Excelente a combinação do sabor a mar dos crustáceos (de boa estirpe) com o conforto do puré. 
Ervilhas da Quinta de Lemos com Presunto de Barrancos. Ervilhas, puré das mesmas, presunto de Barrancos com 40 meses de cura e demi glace de legumes. Um prato com tanto de bonito como de bom.
O pão chegou nesta fase, a dividir as entradas dos pratos principais. Pão artesanal, de fermentação lenta, produzido na casa, broa de milho, bolo lêvedo, azeite de produção própria, manteiga dos Açores e flor de sal do Algarve. Uma ode à qualidade dos produtos.
Lavagante, Camarão e Puré de Beringela, decididamente um dos pratos favoritos. Refrescado por um travo cítrico e elevado pelo molho da redução dos mariscos.
Coelho com Cogumelos. Com agrião, cebolas da quinta e rabanetes.
Peixe Galo.
Cabrito com Pepino em varias texturas, uma combinação surpreendentemente boa e bem confeccionada.
A pré sobremesa era um gelado de citrinos com amêndoas.
Uma sobremesa complexa, com vários elementos (merengue, doce de leite, creme de chocolate branco…), muito bem equilibrados por um travo salgado que elevava o prato. Uma maravilha.
O menu de cinco vinhos: Espumante Ribeiro Santo (o único não produzido na propriedade). Dona Paulette 2017, um branco de encruzado com estágio em barrica, que ligou muito bem com os diversos sabores dos primeiros pratos. Quinta de Lemos Alfrocheiro 2013. Dona Louise Tinto 2006, um tinto de lote com estágio em barrica, onde a touriga nacional surge como casta maioritaria. Dona Louise Tinto 2008, que protagonizou com o prato de coelho a melhor harmonização da refeição.
Terminar em beleza, com o café e as farturas da Feira de São Mateus.

Há um mérito que ninguém tira a Diogo Rocha, conseguiu colocar o Dão no roteiro da alta gastronomia portuguesa. O chef do Mesa de Lemos, o restaurante gastronómico da Quinta de Lemos, trouxe a uma região que já era uma referência nos vinhos e na gastronomia regional, a excelência de uma cozinha moderna e criativa, inspirada pelo receituário clássico. É uma dimensão que o Dão não conhecia, a depuração dos produtos, uma apresentação moderna e bonita e, o mais importante, pratos cheios de sabor, a aproximarem-nos dos paladares mais tradicionais e muitos deles já mal lembrados.

Pode ir-se pela carta, mas é através dos menus que temos acesso a uma experiência condigna, que nos introduz à cozinha arrojada de Diogo Rocha. São três: o Mesa de Lemos (três pratos), o Lemos (cinco pratos, o desta publicação) e o do Chefe (sete pratos), todos abrilhantados por vários momentos extra conforme as fotos documentam. O lugar é de uma elegância extrema, amplo, moderno, iluminado, onde todos os detalhes contam e em harmonia com o serviço, jovem, profissional e bem disposto. Nos vinhos as escolhas resumem-se exclusivamente às referências produzidas na casa. É pena que uma região tão rica neste capítulo não possa estar mais representada, mas sendo um restaurante inserido num projecto de enoturismo de uma casa produtora, entende-se perfeitamente. E a verdade é que o menu de cinco vinhos seleccionados para acompanhar a refeição acabaram por resultar muito bem na harmonização com os diversos pratos.

Achei muito recomedável esta Mesa de Lemos. E mesmo não tendo referências para poder considerar sobre a consistência desta cozinha, penso que não chocaria ninguém, pela amostra desta refeição, uma aparição do Bibendum pela serra. Já vi menos por mais em conceituados estrelados.

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