Offerus 2007 de J. L. Chave

Há uns tempos atrás, um amigo destas lides vínicas desencaminhou-me para irmos almoçar ao Claro!. Lembro-me que era domingo e apesar de inverno estava um dia de sol maravilhoso. Cada um levou o seu vinho e lá estivemos, juntamente com as iguarias preparadas pelo Chef Vítor Claro, a passar uma bela tarde de domingo na esplanada em frente ao mar.

Saint-Joseph Offerus 2007

O vinho que ele levou, fez-me a partir desse dia olhar para a casta Syrah de outra forma. O dito era o Offerus 2007, de Jean Louis Chave, um dos mais reconhecidos produtores do Vale do Rhône. Ao provar o vinho nem queria acreditar que se tratava de um Syrah. Não podia ser, nada daquilo batia certo com as referências, maioritariamente nacionais, que tinha da casta. Nunca fui fundamentalista no que toca ao vinho, ainda hoje não sou, tanto gosto de um Merlot de Lisboa, desde que bem feito, como um Viognier de Condrieu, mas tenho de admitir que depois deste dia passei a olhar com mais dificuldade para apreciadores que se fecham a vinhos de determinadas regiões ou paises. O mundo é muito grande e dá origem a vinhos tão diferentes que nós nem imaginamos, é a descoberta dessa diversidade que nos vai alimentando a paixão por este mundo.

Desde aí tem sido um vinho que me tem acompanhado, a quem já voltei várias vezes e que me dá um gozo enorme dar a conhecer a outros winelovers. Estão lá os frutos pretos e as especiarias, mas é no fundo mineral, na acidez afirmativa e numa elegância que não reconhecia à casta, que este Syrah nos impressiona. O 2007 está numa fase excelente, cheio de vida, a mostrar ser vinho para muito mais tempo.

Saint-Joseph é uma apelação do norte do Rhône onde apenas é permitida a casta tinta Syrah e as castas brancas Marsanne e Rosanne. Por vezes os tintos são temperados com estas duas castas brancas. Para saberem mais sobre o vinho deixo a ligação para a loja online da Niepoort Projectos, onde Dirk Niepoort traça umas apelativas linhas sobre o mesmo.

Fica o desafio para descobrirem este vinho surpreendente, diferente dos que estamos habituados a beber produzidos em Portugal e que pode ser uma boa porta de entrada para o magnífico mundo dos Syrah do Rhône. Atenção, este não é um vinho fácil nem óbvio, se gostam de vinhos frutados e encorpados, com a madeira a marcar o passo, esqueçam esta publicação.

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