Porto das 5 pela Real Companhia Velha

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De há uns anos a esta parte tem sido voz corrente, principalmente pelas pessoas ligadas ao sector, que urge encontrar formas de trazer novos públicos ao consumo de Vinho do Porto. Este excelente vinho fortificado que é a nossa maior bandeira no mundo vínico está, infelizmente, associado a um consumidor mais adulto e conservador, tornando-se um produto menos apelativo para as camadas mais jovens e urbanas, que têm encontrado porto de abrigo noutro tipo de bebidas mais condizentes com o seu estilo de vida (o gin por exemplo, que ganhou grande terreno nestes últimos anos).

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Ora se o problema está identificado e numa altura que as vendas de Vinho do Porto continuam a decrescer (especialmente nas gamas mais baixas) não adianta apregoar esta retórica e manter os braços cruzados, há que arregaçar as mangas e encontrar soluções, apelativas aos jovens já agora, para contrariar este estado de coisas. Foi o que fez a Real Companhia Velha – em ano que celebra o seu 260º aniversário (é obra!) – com a criação do movimento Porto das 5 (um nome muito bem conseguido, diga-se de passagem) que pretende alargar o consumo desta bebida a consumidores mais jovens e cosmopolitas em momentos de consumo mais descontraídos.

Pedro O. Silva Reis, director de marketing e um dos proprietários da empresa, durante o anúncio deste novo movimento que teve lugar no Hotel Ritz em Lisboa, deixou bem claras as motivações para a iniciativa:

“Os portugueses estão cada vez mais a despertar para hábitos já bem enraizados noutros países, em que se reúnem depois do trabalho, em bares, wine bars, quiosques e esplanadas, para tomar um copo de vinho, a solo ou harmonizados com snacks ou finger foods. A Real Companhia Velha acompanha a tendência, introduzindo o vinho do Porto neste “movimento”, seja através do consumo de um tradicional cálice a acompanhar uma tábua de queijos, um extra dry com um ceviche ou um Porto tónico rosé. Achamos que é uma forma de democratizar o consumo do vinho do Porto, ainda considerado por muitos como um produto de acesso premium”,

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Jorge Moreira e Pedro O. Silva Reis.

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Esta apresentação teve início com uma masterclass conduzida pelo referido Pedro O. Silva Reis, que vincou a intenção da empresa dar mais atenção ao Vinho do Porto (com algumas novidades a caminho), e pelo director de enologia Jorge Moreira, onde foram mostrados um conjunto de Portos retirados do vasto portefólio da empresa.

A prova começou com 4 Portos Tawny Colheita, de 1977, 1980, 1999 e 2003, seguindo-se 4 Portos Vintage das colheitas de 1997, 2004, 2007 e 2013. Destacaram-se nos Tawnies 0 1977 (engarrafado em 2012) e o 1980 (engarrafado em 2013), dois Portos de perfil distinto mas ambos numa excelente fase. O 77 mais contido, com notas químicas e licoradas, num estilo sério, intenso e de grande complexidade. E o 80, mais aberto na cor, também com sugestões químicas mas aqui acompanhadas de frutos secos, num estilo mais expressivo, macio e persistente.

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Nos Vintage, destaque para a colheita mais recente, de 2013, produzido a partir das melhores parcelas de vinhas velhas da Quinta das Carvalhas. A revelar juventude na cor e no aroma, com fruta preta, alguma compota, vegetal seco e suaves notas florais. Boa estrutura, intenso e concentrado, muito bem no equilíbrio entre doçura e acidez. Não será um Vintage de grande porte mas para um ano não clássico mostra-se em bom plano.

Finda a masterclass entrámos literalmente na experiência Porto das 5, onde foi possível comprovar a versatilidade dos vários estilos de Porto em harmonização com diversas iguarias e nos mais distintos momentos de consumo. A saber: Royal Oporto Tawny 10 Anos com Laranja confitada coberta de chocolate de leite, Royal Oporto LBV 2011 com Copinhos de chocolate negro, ganache e frutos vermelhos, Real Companhia Velha Vintage 1970 com Pêra-rocha recheada com queijo da serra, Real Companhia Velha Vintage 1967 com Queijo Stilton com bolacha de especiarias e maçã granny smith e, para terminar, num registo mais sério e tradicional, o Real Companhia Velha Vintage 1957 e o Royal Oporto Tawny 40 Anos em harmonia com o charuto Montecristo nº4.

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O Porto Vintage de 1970 brilhou na harmonização com uma preparação de pêra rocha recheada com queijo da serra.

Comprovada a capacidade de harmonização do Vinho do Porto nas mais variadas situações, resta parabenizar a RCV pela iniciativa e por assumir este novo projecto com o objectivo de atrair novos e mais jovens públicos ao Vinho do Porto. Um desígnio que deveria ser transversal a todo o sector, pois todos nunca serão demais para ajudar a colocar o Vinho do Porto, como uma verdadeira bebida nacional que é, à altura do seu estatuto.

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