Rui Roboredo Madeira – Vinhos do Vale do Douro

 

 

 

Champignon com Bacon, Mozarela e Azeitona.

 

 

Atum braseado com Basmati e Molho Caril.
Sem foto, os restantes pratos foram: Pato na Chapa com Migas de Castanha e Requeijão, o melhor da noite. Bife de Novilho com Queijo da Serra, Batata e Couve de Bruxelas. E para sobremesa, a Tarte de Lima, Mel de Rosmaninho e Chantilly.

 

 

 

 

 

 

Os vinhos CARM foram em tempos, quando comecei a desenvolver este meu gosto enófilo, uma das minhas maiores referências. O reserva branco, o reserva tinto, mais tarde o rabigato, eram vinhos que bebia muitas vezes e tinha quase sempre em casa. Nessa altura, o Rui Roboredo Madeira era um perfeito desconhecido para mim, interessavam-me apenas os rótulos e as notícias dos prémios que os mesmos iam conquistando.
Só mais tarde,  quando me surgiu o interesse nos nomes por detrás dos vinhos, conheci o percurso do enólogo. Que se iniciou na aldeia de Vermiosa, em Figueira de Castelo Rodrigo, passou pelo estrangeiro, para regressar ao Douro no final dos anos noventa onde fez a primeira vindima da CARM (Casa Agrícola Roboredo Madeira). Em paralelo vai desenvolvendo o seu projecto VDS, a que vai juntando várias marcas ao longo dos anos, para em 2011 voltar às origens com o projecto Beyra – Vinhos de Altitude.

Agora, veio a Lisboa apresentar-nos a nova etapa da sua carreira, o projecto Rui Roboredo Madeira – Vinhos do Vale do Douro, onde reúne todas as suas marcas sob o mesmo chapéu. O objectivo passa por, para além das próprias marcas, os vinhos serem reconhecidos pela sua assinatura.

Para esta apresentação, que decorreu no restaurante Petra Rio, no Parque das Nações, trouxe-nos seis vinhos do seu portefólio, que iam sendo apresentados enquanto harmonizavam com o menu preparado pelo Chef Tiago Vaz Santos.
Ao falar-nos dos vinhos e do seu projecto, é notória a emoção e entusiasmo com que se refere ao projecto Beyra. A altitude, com vinhas acima dos 700 metros, o terroir, as vinhas velhas, vê-se que é algo que neste momento lhe é querido. Uma região onde, apesar de ser mal amada pelos consumidores, Rui Roboredo Madeira acredita ainda ser possível fazer a diferença. É preciso coragem para assumir um projecto destas características, só por isso o enólogo já está de parabéns.

Os Vinhos:
Beyra Branco 2012 (3€) e Beyra Quartz Branco 2012 (5€), ambos produzidos a partir das castas, Síria e Fonte da Cal, plantadas em solos de xisto e granito, provenientes de vinhas velhas a grande altitude, localizadas na Vermiosa. Perfis idênticos, cítricos, minerais, muito frescos, com o segundo a mostrar um pouco mais de estrutura e comprimento. Não é a primeira vez que escrevo sobre o Beyra Branco, vinhos que gosto e que costumo ter em casa. Boas relações qualidade preço.
Castelo D’Alba Grande Reserva Tinto 2011 (10€). Vamos até ao Douro, com um blend de várias castas, algumas em vinhas velhas, que conferem a este vinho uma complexidade muito interessante. É moderno, com a barrica a mostrar os dentes, mas mantém a identidade da região, com um lado vegetal que lhe dá elegância. Um vinho guloso, persistente, muito bem conseguido, que irá fazer as delícias de muitos.
Atalaya Tinto 2011 (15€). O topo de gama a que o enólogo se refere como a forte identidade do Douro Superior, que apenas é produzido em anos excepcionais, vai agora na sua terceira edição. Muita concentração, acidez, elegância, tudo ainda muito jovem, para guardar e seguir nos próximos anos.
Beyra Superior Tinto 2011.  Tivemos ainda oportunidade de conhecer o primeiro tinto Superior desta marca, um vinho que ainda não se encontra no mercado. Um lote feito a partir de Tinta Roriz, Touriga Nacional e Jaen e ainda uma pequena percentagem de vinhas velhas de Rufete, que estagiou durante 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano. Mostra, para já, boa concentração e complexidade, com a fruta preta muito limpa e, apesar da juventude, com a barrica e os taninos em bom diálogo. Um vinho que merece guarda, para irmos conferindo a sua evolução.
Beyra Branco 2011. Este vinho apareceu na prova apenas para harmonizar com a sobremesa, algo que não conseguiu, pois o doce da mesma acabou por se sobrepor ao vinho. Ao provar o vinho a solo, percebi a intenção nesta harmonização, pois a fruta dá uma sugestão mais madura e doce, mas o vinho perdeu alguma da sua acidez, o que parece um sinal que está na altura de beber o que houver. Note-se que falamos de um vinho de 3€, que foi feito para ser bebido jovem.

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